Reuniões em Chipre sobre reconstrução de Gaza foram ‘produtivas’, diz administração palestina do enclave
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Enquanto autoridades palestinas e o comitê patrocinado pelos Estados Unidos celebram reuniões 'produtivas' em Chipre, moradores de Gaza vivem sob ameaça permanente, cercados pela 'linha amarela' que avança sobre suas terras. Veículos de esquerda enfatizam que o território foi destruído por Israel no que descrevem como genocídio iniciado em outubro de 2023, e que a expansão da zona de controle militar israelense configura violação do direito internacional e dos próprios termos do plano de Trump.
A entidade palestina que administra provisoriamente Gaza classificou como 'altamente produtivas' as reuniões de dois dias realizadas em Chipre, encerradas em 1º de julho de 2026, voltadas à reconstrução do território.
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Todos os lados reconhecem que as reuniões em Chipre reafirmaram o plano de 20 pontos de Trump, que não houve divulgação de detalhes nem calendário, e que a segunda fase (retirada israelense, desarmamento do Hamas, força internacional) ainda não se concretizou.
A entidade palestina encarregada de administrar provisoriamente a Faixa de Gaza classificou como 'altamente produtivas' as reuniões realizadas em Chipre, encerradas na quarta-feira, 1º de julho de 2026, após dois dias de discussões voltadas à reconstrução do território. Os encontros reuniram especialistas e conselheiros do 'Conselho da Paz', criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do gabinete do Alto Representante para Gaza, Nikolai Mladenov, e do Instituto Tony Blair. Todos integram o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, o NCAG, formado no âmbito do plano norte-americano para encerrar a guerra e reconstruir o enclave.
Segundo o comitê, os participantes trataram dos esforços para aliviar o sofrimento dos habitantes, dos planos de reconstrução, de segurança e governança, e de um mecanismo para garantir transparência e prestação de contas aos doadores internacionais. O grupo reafirmou seu compromisso com o plano de 20 pontos apresentado por Trump e disse continuar pronto para assumir suas responsabilidades em coordenação com o 'Conselho da Paz'. As novas etapas de implementação serão anunciadas, segundo o comitê, 'quando as condições adequadas estiverem reunidas', mas nenhum calendário foi definido e os detalhes das reuniões não foram divulgados.
A cobertura de centro relatou que o pacote de medidas foi validado pelo Conselho de Segurança da ONU e permitiu um cessar-fogo precário em outubro de 2025. A segunda fase prevê uma retirada israelense progressiva de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização, medidas anunciadas e discutidas, mas que nunca se concretizaram. O Hamas, que controla o território desde 2007, declarou-se favorável à presença dessa força, desde que ela não interfira nos assuntos internos do enclave. No fim de maio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que o Exército ampliasse seu controle sobre 70% do território, e as duas partes se acusam quase diariamente de violar o cessar-fogo.
Os veículos de direita enfatizaram a origem do conflito, lembrando que a guerra foi desencadeada em 2023 pelo ataque do movimento islamista Hamas contra Israel, e destacaram a arquitetura institucional do processo de paz, com seus mecanismos de transparência e a exigência de desarmamento do grupo como condição para o avanço. Já os veículos de esquerda enfatizaram o custo humano e descreveram a destruição do território como um genocídio iniciado em 7 de outubro de 2023. Essa cobertura deu voz aos moradores: 'Temos muito mais medo do que antes. É horrível ter de abandonar a própria casa', contou uma moradora. Mohamed el Najjar, ex-prefeito de Maghazi, relatou que a ameaça é permanente e que a população não consegue mais circular entre vilarejos.
Um ponto sensível é a chamada linha amarela, uma demarcação materializada por blocos de concreto que separa as áreas sob controle militar israelense daquelas onde os palestinos podem circular. A cobertura de esquerda destacou que essa linha, apresentada como temporária, avança para o oeste e é cercada por fortificações, o que caracteriza, segundo esses veículos, uma violação do direito internacional e dos próprios termos do plano de Trump.
O que ainda não se sabe é substancial: nem os detalhes concretos discutidos em Chipre, nem o calendário de implementação, nem a resposta oficial de Israel às reuniões foram divulgados. Também permanece indefinido quando e como a força internacional de estabilização será enviada e se o desarmamento do Hamas, condição central da segunda fase, chegará de fato a ocorrer.
A entidade palestina encarregada de administrar provisoriamente a Faixa de Gaza considerou as discussões em Chipre “altamente produtivas”, após dois dias de reuniões que terminaram nesta quarta-feira…

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