A plataforma de vídeos Rumble registrou uma nova advogada na ação que move, ao lado da Trump Media, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na Justiça Federal dos Estados Unidos. Em petição protocolada na sexta-feira, 26 de junho, a advogada Rossana Baeza, do escritório Boies Schiller Flexner, informou à Corte da Flórida que passa a atuar oficialmente no processo, ao lado do advogado Martin De Luca. O reforço da equipe jurídica ocorre num momento delicado para as autoras da ação.
A cobertura de centro relatou que a movimentação vem logo depois de a Justiça americana negar, por ora, o pedido para declarar o ministro em revelia. A Rumble e a Trump Media haviam sustentado que Moraes foi notificado por um meio autorizado pela Justiça dos Estados Unidos e que deixou transcorrer o prazo sem responder à ação nem pedir prorrogação. A juíza responsável, contudo, autorizou a entrada do governo brasileiro no processo, por meio da Advocacia-Geral da União, e determinou que as empresas respondam ao pedido da AGU para extinguir a ação antes de uma eventual nova análise sobre a revelia.
No mérito, as autoras acusam o ministro de determinar, de forma que consideram ilegal, o bloqueio de perfis de pessoas residentes nos Estados Unidos em plataformas sediadas naquele país. Afirmam ainda que Moraes promove censura contra discursos políticos de usuários alinhados à direita, entre eles o blogueiro Allan dos Santos. A Rumble, popular entre conservadores e comparada ao YouTube, está proibida de operar no Brasil desde fevereiro de 2025.
Veículos de direita enfatizaram exatamente esse ângulo: a tese de que decisões do ministro extrapolam a jurisdição brasileira e atingem a liberdade de expressão garantida nos Estados Unidos, lendo a entrada da AGU como uma tentativa do Estado brasileiro de blindar Moraes do escrutínio de uma corte estrangeira. Já veículos de esquerda destacaram o contexto da suspensão da plataforma no Brasil: segundo o ministro, apoiadores de Jair Bolsonaro usavam a rede para disseminar notícias falsas e promover ataques às instituições democráticas, e todas as empresas que atuam no país estão sujeitas à legislação brasileira. Para essa leitura, a ação é uma manobra de plataformas ligadas à direita para contornar a soberania da Justiça brasileira, e por isso o reforço jurídico é apresentado ao lado da justificativa do magistrado.
Ainda não se sabe se a juíza acolherá o pedido de extinção formulado pela AGU nem como ficará, em definitivo, a questão da revelia. Também não há detalhamento público sobre o cronograma das próximas etapas do processo na Flórida nem sobre o eventual alcance de uma decisão americana sobre atos praticados por um ministro do STF no Brasil.