Senado dos EUA se une à Câmara dos Deputados em votação para barrar guerra contra Irã
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A votação bipartidária no Senado representou uma repreensão histórica ao unilateralismo de Trump na condução da guerra contra o Irã. Para a leitura à esquerda, o resultado reafirma que a Constituição atribui ao Legislativo, e não ao presidente, a autoridade para declarar guerra, contendo uma escalada militar impopular decidida sem aval do Congresso. A divisão dentro do próprio Partido Republicano expõe o desgaste de uma ofensiva cara e arriscada, comemorada por democratas como vitória simbólica contra o abuso de poder do Executivo.
A leitura à direita enfatiza que, embora simbólica, a votação é um revés político para Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, em que os republicanos disputam o controle do Congresso. A Casa Branca sustenta que a resolução é inconstitucional e sem caráter vinculante, e que o Executivo provavelmente a ignorará com base em argumentos constitucionais.
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Todos os lados reconhecem que o Senado aprovou a resolução por 50 a 48, que a Câmara já havia aprovado por 215 a 208, e que a medida é largamente simbólica, sem força de lei, expondo uma divisão rara dentro do Partido Republicano.
O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta terça-feira, uma resolução que determina ao presidente Donald Trump o fim das ações militares contra o Irã ou, caso queira continuar o conflito, a busca de autorização do Congresso. A votação, de 50 a 48, foi a mais significativa repreensão bipartidária ao presidente desde o início da guerra. A medida já havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes no começo do mês, por 215 a 208.
Foi a primeira vez desde a edição da Lei dos Poderes de Guerra, em 1973, que as duas casas do Congresso aprovam uma resolução instruindo um presidente a retirar as Forças Armadas de hostilidades. A cobertura de centro relatou que quatro senadores republicanos, Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Bill Cassidy, votaram ao lado dos democratas, enquanto o único democrata a votar contra foi John Fetterman, da Pensilvânia. O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra o Irã.
Há pontos em que todos os lados convergem. A resolução não tem força de lei: pela Lei dos Poderes de Guerra, o texto não é encaminhado à Casa Branca para sanção presidencial, e seu efeito prático tende a ser limitado. A divisão dentro do Partido Republicano, tradicionalmente alinhado ao presidente em temas de segurança nacional, é tratada como o dado central por toda a imprensa.
A partir daí, as ênfases se separam. Veículos de esquerda destacaram que a votação representa um freio ao unilateralismo de Trump e reafirma a prerrogativa constitucional do Legislativo de declarar guerra. Apontaram que uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas um em cada quatro norte-americanos acredita que a guerra valeu a pena, e que democratas comemoraram o resultado como vitória simbólica contra o abuso de poder do Executivo. Lembraram ainda que o governo deve pedir ao Congresso dezenas de bilhões de dólares para financiar a guerra.
Veículos de direita enfatizaram que a Casa Branca considera a resolução inconstitucional e sem caráter vinculante, e que o Executivo provavelmente a ignorará com base em argumentos constitucionais. Ressaltaram que o revés é, sobretudo, político, às vésperas das eleições de meio de mandato que decidirão o controle do Congresso. Em uma postagem, Trump criticou a votação, chamando-a de inoportuna e sem sentido, e acusou quem a apoiou de dar conforto ao Irã e dificultar as negociações de cessar-fogo.
O que ainda não se sabe é qual será o impacto concreto da medida sobre o conflito. Especialistas, como o pesquisador Scott Anderson, da Brookings Institution, afirmam que a disputa jurídica continua em aberto e provavelmente será decidida nos tribunais, embora não esteja claro quem teria legitimidade para acionar a Justiça. Também permanecem incertas as negociações com Teerã, em meio a relatos contraditórios sobre o programa nuclear iraniano e à permanência de milhares de militares americanos na região.
Resolução foi aprovada por 50 votos a 48 e já havia recebido aval da Câmara dos Representantes neste mês
A resolução sobre poderes de guerra recebeu apoio bipartidário devido à insatisfação do Congresso com o conflito e à baixa aprovação popular da intervenção militar
