O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, passou a dedicar boa parte do tempo à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL, depois de ser reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro, sobre Fernando Haddad, do PT. Segundo a cobertura disponível, a gestão do Palácio dos Bandeirantes ficou em segundo plano.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso. Ele relatou que Tarcísio virou uma espécie de articulador político de Flávio, cumpre agendas eleitorais com o candidato em outros estados e abriu espaço para o aliado nas próprias redes sociais, onde as menções ao presidenciável eram raras no primeiro turno. O discurso que sustenta essa atuação é o de que é preciso derrotar o PT.
A agenda oficial do governo paulista registra compromissos, internos ou externos, em apenas dois dias desde a vitória. No dia 7, Tarcísio foi ao Fórum Brasileiro de Incorporadoras. Oito dias depois, lançou um conjunto de medidas contra as mudanças climáticas e se reuniu com o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho. Nos demais dias, a agenda ficou em branco. No mesmo período, ele viajou a Brasília um dia depois do primeiro turno para discutir estratégia com Flávio, esteve no evento em que Ronaldo Caiado, do PSD, anunciou apoio ao candidato e participou de agenda eleitoral no Rio Grande do Sul.
Tarcísio também atuou para reunir apoios. Esteve nos três eventos em que foram anunciadas as adesões de Republicanos, Podemos e da maioria dos diretórios do MDB, e articulou a adesão do governador do Paraná, Ratinho Júnior, do PSD. Está prevista campanha conjunta com Flávio em Vitória e Salvador e a presença no ato marcado para domingo, 18, na Avenida Paulista. O governador só deve anunciar mudanças no secretariado depois do segundo turno, e nos bastidores se especula que integrantes de sua gestão que trabalharam no governo de Jair Bolsonaro possam voltar a Brasília se Flávio vencer.
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que Tarcísio mantém suas atividades, com acompanhamento permanente da gestão, reuniões e despachos administrativos, e sem qualquer prejuízo às demandas estaduais. Disse ainda que a participação em eventos de campanha observa a legislação e que agentes políticos não estão sujeitos a expediente fixo.
Deputados bolsonaristas ouvidos sob reserva avaliam que o governador não teria como ficar distante da campanha sem se desgastar com o eleitorado fiel ao bolsonarismo. Flávio tem repetido que pretende acabar com a reeleição, o que é visto como aceno a Tarcísio, pois abriria espaço para uma candidatura presidencial em 2030. Tarcísio foi incentivado por partidos do Centrão e pelo empresariado a disputar a Presidência neste ano, mas nunca admitiu a intenção. Flávio disse que, depois de ser escolhido por Bolsonaro, a primeira pessoa que procurou foi Tarcísio, pois ele tinha a expectativa de ser o candidato.
Como houve cobertura de um único veículo, não há como comparar o enquadramento entre esquerda, centro e direita. Ainda não se sabe quantas atividades de gestão ocorreram fora da agenda divulgada, nem se haverá impacto concreto nos serviços estaduais. Também não está claro quais mudanças virão no secretariado paulista.