A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, provocou uma disparada nos preços do barril ao longo do fim de semana e do início desta semana. Depois de um cessar-fogo firmado em junho ter reduzido as cotações a cerca de 76 dólares, o rompimento do acordo levou o petróleo tipo Brent a saltar 12% em 24 horas, ultrapassando 86 dólares por barril, após o presidente americano Donald Trump anunciar o retorno de um bloqueio naval aos portos iranianos e a cobrança de uma taxa de 20% sobre o valor da carga de embarcações que cruzam o estreito.
A cobertura de centro, assinada pela Folhapress e replicada pelo Notícias ao Minuto, relatou de forma factual a sequência de eventos: no sábado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz; no domingo, forças dos Estados Unidos e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones, com Teerã atingindo instalações americanas no Kuwait, no Bahrein, na Jordânia e no Catar, além de disparar contra embarcações que navegavam sem autorização iraniana. Ainda segundo essa cobertura, Trump afirmou em rede social que o estreito "está aberto", mesmo com o tráfego marítimo despencando na região.
Veículos de direita, como O Antagonista, enfatizaram a resposta assertiva do governo americano à ameaça iraniana, descrevendo o bloqueio naval e a nova taxa de 20% como medidas para degradar a capacidade militar do Irã de atingir navios comerciais. Essa cobertura também registrou, sem endossar, o ceticismo de analistas e a contradição entre o anúncio de Trump e declarações anteriores do secretário de Estado Marco Rubio e do vice-presidente JD Vance, que defendiam o livre trânsito pela hidrovia. Já a leitura de esquerda, ecoada na crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva citada nessa mesma cobertura, classificou a cobrança da taxa por Trump como "pirataria", reforçando a ideia de que a imposição unilateral de tarifas sobre uma via marítima internacional fere normas de livre navegação e prejudica economias dependentes do comércio de energia.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Aragachi rebateu Trump e afirmou que é o Irã quem controla o Estreito de Ormuz. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, controlada por Teerã, disse que a passagem seguirá bloqueada até que "a estabilidade e a calma sejam restabelecidas", enquanto o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que "a era dos acordos unilaterais acabou" e que "a realidade está batendo à porta".
O que ainda não se sabe é se as negociações realizadas em Mascate serão retomadas, se a taxa de 20% anunciada por Trump chegará a ser cobrada na prática e por quanto tempo o bloqueio naval e as trocas de ataques continuarão afetando o tráfego marítimo e os preços globais de energia.