Tribunais estaduais ignoram teto do STF e pagam R$ 722 milhões em “penduricalhos”
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Resumo da cobertura
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Levantamento da CNN Brasil, com base em dados do CNJ, mostra que tribunais estaduais pagaram R$ 722,8 milhões em verbas extras a magistrados entre maio e junho, primeiros meses de vigência das novas regras do STF para limitar os 'penduricalhos'.
Apesar do teto fixado pelo STF em março, tribunais estaduais continuaram a pagar quase R$ 723 milhões em benefícios extras a magistrados em apenas dois meses, o que a cobertura de esquerda lê como evidência de que a autorregulação do Judiciário não funciona sem fiscalização externa.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Os três veículos convergem sobre os valores do levantamento da CNN Brasil (R$ 722,8 milhões em maio e junho), a liderança do TJSP e do TJRJ nos pagamentos, e a intimação do STF a sete tribunais para prestar esclarecimentos em 48 horas.
Tribunais de Justiça estaduais pagaram pelo menos R$ 722,8 milhões em verbas extras a juízes e desembargadores entre maio e junho, nos dois primeiros meses de vigência das novas regras que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu em março para conter os chamados 'penduricalhos' da magistratura. O levantamento, feito pela CNN Brasil com base no Portal de Remuneração da Magistratura do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que 23 tribunais informaram R$ 479,9 milhões em maio e 15 tribunais informaram R$ 242,9 milhões em junho, soma que pode crescer, já que nem todas as cortes enviaram os dados do segundo mês.
O Tribunal de Justiça de São Paulo liderou os desembolsos, com R$ 184,4 milhões pagos só em maio; o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro somou R$ 110,6 milhões nos dois meses, seguido por TJPR, TJRS, TJBA e TJPE, todos acima de R$ 40 milhões. As rubricas envolvem direitos pessoais, indenizações e verbas eventuais, como auxílios, plantões, férias e licenças não usufruídas, pagos além do subsídio mensal, hoje limitado a R$ 46,3 mil pelo teto constitucional. Em março, o STF havia determinado o corte imediato de benefícios criados por normas locais e fixado limite de 35% do subsídio para indenizações como férias e plantões acumulados.
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil e pela Agenda do Poder, relatou os números de forma factual, dando espaço às respostas dos tribunais questionados: o TJGO disse que as folhas de maio e junho já haviam passado por auditoria da Corregedoria Nacional de Justiça antes do pagamento; o TJMT afirmou cumprir integralmente as determinações do STF e manter os dados públicos no Portal da Transparência; o TJDFT informou apenas que prestou esclarecimentos às autoridades competentes. O CNJ, por sua vez, disse que os dados são fornecidos e validados pelos próprios tribunais e que a Corregedoria Nacional de Justiça acompanha o cumprimento das regras.
Já veículos de esquerda, caso da Revista Fórum, enquadraram os números como uma 'farra' que evidencia que as restrições de março não foram suficientes para conter o excesso. Essa cobertura destacou uma fragilidade estrutural do modelo de fiscalização: como os próprios tribunais informam os valores ao CNJ sem auditoria prévia ao pagamento, a irregularidade só fica visível depois que o dinheiro já saiu do caixa público. Para essa leitura, a intimação que o STF fez a sete tribunais na segunda-feira (6) é, na prática, um reconhecimento de que as próprias regras da Corte não vinham sendo cumpridas.
Até o fechamento desta apuração, não havia cobertura relevante de veículos de direita sobre o caso, um ponto cego que a ausência dessa perspectiva evidencia. Uma leitura alinhada a esse campo tenderia a cobrar rigor na aplicação das sanções já previstas contra o próprio Judiciário, tratando o episódio como exemplo de excesso do funcionalismo público de alto escalão e defendendo regras permanentes e mais duras de teto remuneratório.
Diante da resistência das cortes, o STF endureceu a fiscalização. Na segunda-feira (6), os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes intimaram os presidentes dos tribunais do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia a enviar, em 48 horas, informações detalhadas sobre pagamentos a magistrados da ativa, aposentados e pensionistas entre abril e julho, incluindo cópias das folhas de pagamento. Os ministros advertiram que o descumprimento pode levar ao afastamento do cargo e à responsabilização penal, civil e disciplinar dos responsáveis.
O que ainda não se sabe é se os tribunais notificados cumpriram o prazo de 48 horas, quais sanções poderão de fato ser aplicadas e qual será o valor total de junho, já que oito tribunais ainda não haviam enviado seus dados ao CNJ até a conclusão do levantamento.
Levantamento da CNN considerou os pagamentos de maio e junho, primeiros meses de vigência dos parâmetros estabelecidos pelo Supremo para limitar verbas extras além do subsídio mensal de juízes e desembargadores

Tribunais pagam R$ 722 milhões em penduricalhos mesmo após restrições do STF; TJRJ aparece com o segundo maior volume de pagamentos

Diante do descumprimento, Supremo intimou presidentes de sete cortes a prestarem esclarecimentos
