Donald Trump abre cota de carne moída por 90 dias sob pressão dos preços
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Como decidimos →O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, que permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem que o volume seja descontado das cotas tarifárias de cada país exportador. A liberação vale por 90 dias e faz parte de um acordo que, segundo o republicano, garante a venda do produto a preços 25% menores do que os praticados hoje. Ele não informou de quais países virá a carne nem quem assumiu o compromisso de preço, e a Casa Branca não detalhou o acordo. A medida chega num momento de forte pressão sobre o custo da carne bovina nos Estados Unidos: o preço por libra saiu de menos de 4 dólares no início de 2021 para quase 6,90 dólares em julho de 2026, alta de cerca de 10% em um ano.
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As diferentes coberturas descrevem a medida da mesma forma: até 300 mil toneladas de carne moída liberadas das cotas tarifárias por 90 dias, com promessa de preço 25% menor, e nenhuma delas conseguiu apurar quais países fornecerão o produto ou quem assumiu esse compromisso.
O governo dos Estados Unidos vai permitir a entrada de até 300 mil toneladas de carne moída sem que o volume conte para as cotas tarifárias, por um prazo de 90 dias. Donald Trump diz ter um compromisso de venda a preços 25% menores, mas não revelou os países de origem nem quem assinou o acordo, num momento em que a carne bovina acumula alta de cerca de 10% em doze meses no país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, que vai permitir a entrada de até 300 mil toneladas de carne moída no país sem que esse volume seja descontado das cotas tarifárias de cada nação exportadora. A liberação vale por 90 dias e integra um acordo apresentado pelo republicano como resposta ao encarecimento das compras de supermercado. Em publicação numa rede social, Trump afirmou ter recebido um compromisso de que a carne será vendida por preços 25% inferiores aos praticados hoje. Ele não informou de quais países virá o produto nem quem assumiu esse compromisso, e a Casa Branca não respondeu ao pedido de detalhamento sobre os termos do entendimento.
A cobertura de centro descreveu a medida pelo desenho técnico e pelo quadro de preços que a antecede. Nos Estados Unidos, um dos maiores consumidores mundiais de carne bovina, com pouco mais de 23 quilos por habitante em 2025 segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o preço da libra do produto passou de menos de 4 dólares no início de 2021 para quase 6,90 dólares em julho deste ano, conforme dados do Federal Reserve, o banco central norte-americano. A alta em doze meses é de cerca de 10%. Em maio, o bife estava 15% mais caro do que um ano antes, de acordo com os números oficiais de inflação. O rebanho bovino do país está no menor nível desde a década de 1950, pressionado por uma seca persistente nos principais estados produtores e pela alta nos custos de energia, insumos e transporte.
Há pontos em que as diferentes leituras convergem. Todas registram o volume de 300 mil toneladas, o prazo de 90 dias e o fato de que o anúncio veio sem lista de países fornecedores e sem identificação de quem se comprometeu com o desconto de 25%. Também não há disputa sobre o diagnóstico de oferta: rebanho encolhido, seca prolongada e custo de produção mais alto explicam boa parte da escalada de preços desde a pandemia de covid-19.
A divergência começa na causa e no remédio. Veículos de direita trataram a decisão como demonstração prática de que ampliar o comércio derruba preço mais rápido do que qualquer tentativa de controle administrativo, e enfatizaram que a janela de 90 dias dá espaço para o rebanho norte-americano se recompor sem punir o pecuarista com importação permanente. Nesse enquadramento, a investigação aberta contra as empresas do setor aparece como defesa da concorrência, que interessa ao produtor rural e ao consumidor.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre o caso no conjunto analisado. A leitura provável desse lado, a partir dos mesmos fatos, ligaria o encarecimento da carne à política de tarifas generalizadas adotada pelo próprio governo, que agora abre exceções pontuais para conter o efeito sobre o custo de vida. Também daria peso à concentração do mercado de processamento e ao fato de que uma promessa de preço feita em rede social, sem contrato publicado e sem signatários conhecidos, não é cobrável pelo consumidor.
O episódio tem um fio brasileiro no pano de fundo. Diante do impacto inflacionário das tarifas adicionais, Washington já havia eliminado as taxas sobre determinados produtos agrícolas vindos do Brasil, entre eles carne bovina, café e tomate. No início do ano, Trump assinou decreto que ampliou as cotas isentas de tarifa para a carne argentina. Nos últimos meses, o governo intensificou a pressão sobre as grandes processadoras, acusando-as de práticas anticompetitivas que prejudicariam pecuaristas e consumidores. As brasileiras JBS e National Beef, controlada pela MBRF, passaram a ser investigadas ao lado da Cargill e da Tyson Foods. Em 11 de agosto, o conselheiro da Casa Branca Peter Navarro afirmou que as duas empresas brasileiras integram o que chamou de cartel no processamento de carne bovina nos Estados Unidos, e atribuiu à concentração do mercado parte da alta paga pelo consumidor.
O que ainda não se sabe é o essencial do acordo. Nenhuma cobertura informa de quais países virão as 300 mil toneladas, quem firmou o compromisso de vender 25% mais barato, como esse preço será verificado e o que acontece quando o prazo de 90 dias terminar. Também não há resposta pública das empresas investigadas nem detalhamento sobre se, e em que medida, exportadores brasileiros serão beneficiados pela cota extra.
