Boletim Focus projeta IPCA de 5,01% em 2026, acima do teto da meta
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Inflação projetada de 5,01% em 2026, acima do intervalo de 1,5% a 4,5% da meta
- Selic esperada em 13,5% no fim do ano, com dois cortes previstos em novembro e dezembro
- PIB projetado em 1,85% em 2026 e dólar em R$ 5,20
Onde os lados concordam
As duas coberturas concordam que a projeção do IPCA de 2026 subiu para 5,01%, acima do teto de 4,5% da meta, e que a Selic esperada para o fim do ano segue em 13,5%.
O que ainda está incerto
- Quais fatores levaram à terceira alta seguida da projeção de inflação
- Como o resultado do primeiro turno, posterior à coleta, vai afetar as expectativas do mercado
O Boletim Focus do Banco Central mostrou nesta segunda-feira, 5 de outubro, a terceira alta seguida na projeção do IPCA de 2026, agora em 5,01%, acima do teto da meta do Conselho Monetário Nacional. A Selic esperada para o fim do ano ficou em 13,5%, e a estimativa de crescimento do PIB recuou para 1,85%.
O mercado financeiro elevou pela terceira semana seguida a projeção para a inflação oficial de 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 5 de outubro, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 4,99% para 5,01%.
Com esse número, a inflação esperada para o ano fica acima do teto da meta. Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua. O objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, a inflação é considerada dentro da faixa entre 1,5% e 4,5%.
Para os anos seguintes, o quadro é mais estável. A projeção para 2027 recuou de 4,31% para 4,30%, e a de 2028 foi mantida em 3,8%. O crescimento da economia também foi revisado para baixo, em pequena escala. O Produto Interno Bruto, o PIB, deve avançar 1,85% em 2026, ante 1,86% na semana anterior. Para 2027, a estimativa caiu de 1,41% para 1,40%, e para 2028, de 1,83% para 1,81%. A cotação do dólar esperada para o fim deste ano permaneceu em R$ 5,20.
A taxa básica de juros, a Selic, segue projetada em 13,5% ao ano no encerramento de 2026, com previsão de 12% em 2027 e 10,5% em 2028. Os economistas consultados esperam mais dois cortes nas reuniões do Comitê de Política Monetária, o Copom, em novembro e em dezembro.
A cobertura de centro relatou os números de forma descritiva e acrescentou um detalhe de contexto: a coleta das projeções terminou na sexta-feira, 2 de outubro, antes do primeiro turno das eleições. Na votação, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Outra parte da cobertura de centro se dedicou a explicar como a Selic funciona: juros mais altos encarecem o crédito e contêm a demanda, enquanto juros menores estimulam a atividade, mas podem pressionar os preços.
Até o momento, o dado foi tratado apenas por veículos de centro. Veículos de esquerda e veículos de direita não publicaram leitura própria do boletim, de modo que não há, nesta cobertura, divergência de enquadramento a registrar.
O que ainda não se sabe é o que explica a nova alta da projeção de inflação, já que nenhuma das matérias detalhou os fatores por trás da revisão. Também não está claro como o mercado vai reagir ao resultado do primeiro turno, que não entrou nesta rodada do Focus, nem se os cortes de juros previstos para o fim do ano serão confirmados pelo Copom diante de uma inflação acima da meta.
Fontes
PIB projetado para 2026 é de 1,85%, de acordo com publicação do Banco Central.
Resultado é 0,02 ponto percentual maior que os 4,99% da projeção da semana passada, segundo o boletim Focus. Leia no Poder360.
