O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a rede social X, antigo Twitter, explique em até 24 horas como aplica o filtro que deveria impedir a recomendação de publicações de candidatos na aba “Para Você” para usuários que não seguem esses perfis. A decisão atendeu a uma representação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, que sustenta a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de 2026.
O filtro nasceu de uma parceria entre o TSE e a plataforma para identificar as contas oficiais de candidatos registrados na Justiça Eleitoral. Pelo desenho combinado, as publicações desses perfis não deveriam ser empurradas pelo algoritmo de recomendação a quem não os acompanha. A coligação questionou a abrangência do mecanismo: afirmou que o código disponibilizado pela plataforma contempla 665 contas e que o cruzamento com o cadastro oficial de redes sociais das candidaturas apontou outras 1.559 contas ausentes do filtro.
Para a federação, a aplicação incompleta produziria tratamento desigual entre concorrentes, já que parte dos perfis deixaria de ser recomendada enquanto outra parte seguiria sujeita à amplificação automática do sistema. Mendonça tratou o tema como urgente e registrou no despacho que “a aplicação seletiva do mecanismo, caso efetivamente verificada, é potencialmente apta a produzir assimetria relevante na circulação de conteúdos eleitorais”. Além do prazo de 24 horas para manifestação, o ministro determinou que a plataforma mantenha o filtro sincronizado durante todo o período eleitoral e inclua nele todas as contas de candidaturas oficializadas pelo tribunal.
Os relatos disponíveis convergem nos fatos centrais: houve representação da campanha presidencial, houve decisão de um ministro do TSE, o prazo é de um dia e a discrepância alegada é entre 665 contas filtradas e mais de mil e quinhentas fora do filtro. Também convergem ao registrar que a plataforma ainda não apresentou sua versão, e que a apuração técnica do que de fato ocorreu no sistema de recomendação está apenas começando.
As ênfases diferem. Veículos de direita destacaram que a ordem partiu de um pedido da campanha do presidente candidato à reeleição, trataram o episódio pela chave da urgência e mantiveram a suposta assimetria no terreno da suspeita a ser verificada, sublinhando que a decisão recai sobre uma empresa privada. A cobertura de centro deu ao caso tratamento de bastidor do poder e foi além ao descrever o desequilíbrio de visibilidade como ilegal, apresentando como desdobramento a exigência de auditoria judicial, a preservação de dados técnicos, listas e códigos e a perspectiva de correção imediata no sistema. Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do caso até o fechamento desta reportagem, o que deixa sem registro o enquadramento que costuma tratar a moderação algorítmica como questão de isonomia e de proteção do processo eleitoral.
Ainda não se sabe o que a plataforma responderá dentro do prazo aberto, nem por que apenas 665 contas entraram no código enviado à Justiça Eleitoral. Também não há informação sobre o critério que separou as contas incluídas das ausentes, sobre o efeito prático que a diferença teve na circulação de conteúdo das candidaturas afetadas e sobre quais medidas o tribunal adotará caso a falha seja confirmada. Não há, até aqui, sanção aplicada, prazo definido para a auditoria mencionada na decisão nem qualquer avaliação independente do funcionamento do mecanismo.