
Violência policial contra negros matou mais de 8 pessoas por dia em 2025, aponta estudo
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O relatório Pele Alvo, da Rede de Observatórios da Segurança, registrou 4.330 mortes por intervenção policial em 2025 em nove estados, alta de 6,4% sobre 2024. Pessoas negras foram 71,7% das vítimas, proporção superior à sua presença na população desses estados. A Bahia lidera em números absolutos, com 1.243 mortes. A tendência contraria a queda de 10,4% nos homicídios totais no país no mesmo período. A SSP-BA afirmou ter reduzido as mortes em confrontos no primeiro semestre de 2026.
Esquerda
330 vítimas em 2025 eram negras, e a juventude negra periférica segue como principal alvo do Estado. 799 mortes, sem que se construísse política pública efetiva para proteger essas vidas. Pessoas negras têm quatro vezes mais risco de morrer pela polícia que brancas.
Centro
330 mortes por intervenção policial em 2025 em nove estados, alta de 6,4% sobre 2024. Pessoas negras foram 71,7% das vítimas, proporção superior à sua presença na população desses estados. 243 mortes.
Direita
Sem cobertura neste espectro.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto adota enquadramento de direitos coletivos e vulnerabilidade da juventude negra periférica ('perversidade com que o Estado tem incidido'), com vocabulário de justiça social e crítica estrutural ao modelo de segurança. Cita a pesquisadora Silvia Ramos e o relatório, mas não busca o outro lado das polícias, marca de cobertura à esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura equilibrada: apresenta os dados do relatório Pele Alvo, contrasta com a queda geral de homicídios do Ministério da Justiça, cita a nota oficial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia com queda no primeiro semestre e o plano de qualificação das tropas. Paridade de fontes e ausência de vocabulário valorativo caracterizam o centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Um novo relatório colocou a letalidade policial no Brasil de volta ao centro do debate sobre segurança pública e racismo. O estudo Pele Alvo, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, contabilizou 4.330 mortes por intervenção policial em 2025 em nove estados brasileiros: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. O número representa alta de 6,4% em relação a 2024 e significa, na média, ao menos oito pessoas negras mortas por dia pelas polícias nesses estados.
A cobertura de centro, baseada em material da Folhapress, detalhou que 71,7% das vítimas eram negras, proporção superior à presença desse grupo na população dos estados analisados. O relatório aponta ainda que pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. A Bahia concentrou o maior número absoluto, com 1.243 mortes, seguida por Rio de Janeiro, Pará e São Paulo. O total de crianças e adolescentes mortos subiu para 312, quinze a mais que no ano anterior.
Há convergência entre os veículos sobre os números centrais e sobre o recorte etário e racial: a juventude de 18 a 39 anos responde por 79% das vítimas, e a faixa de 18 a 29 anos concentra 57,6% dos casos. Todos os relatos registram que a alta na letalidade policial caminha na contramão da queda geral de homicídios no país, que recuou 10,4% em 2025 segundo o Ministério da Justiça.
As ênfases, porém, divergem. Veículos de esquerda, como a Agência Pública, enquadraram os dados como expressão de racismo estrutural e de um modelo de segurança que incide de forma perversa sobre a juventude negra periférica. O texto destacou a fala da cientista social Silvia Ramos, para quem não se trata de fatalidade nem de casos isolados: em sete edições do relatório, foram 28.799 mortes sem que se construísse política pública efetiva de proteção. A cobertura de esquerda também sublinhou a subnotificação racial em estados como Ceará e Maranhão como mecanismo de apagamento estatístico das vítimas.
A cobertura de centro relatou os mesmos dados sem enquadramento valorativo e trouxe o contraditório das autoridades. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirmou, em nota, que as mortes em confrontos caíram 12,6% no primeiro semestre de 2026, citou um plano de qualificação das tropas com uso de tecnologia e ampliação do apoio psicológico aos policiais e reiterou compromisso com ações pautadas pela legalidade. Embora não haja artigo de direita no conjunto, essa vertente tende a enfatizar que a ação policial responde a um cenário de criminalidade organizada, com mais de 20 facções disputando rotas do tráfico na Bahia, e que estados têm reduzido homicídios ao mesmo tempo em que buscam accountability.
O que ainda não se sabe é como cada secretaria estadual explica o aumento da letalidade fora da Bahia, já que sete dos nove estados registraram crescimento, e que peso a subnotificação racial no Ceará e no Maranhão tem sobre o retrato final. Também permanece em aberto se as medidas anunciadas pelas polícias serão suficientes para reverter a tendência nos próximos anos.
Esquerda e centro reconhecem que a letalidade policial subiu 6,4% em 2025 nos nove estados monitorados, que 71,7% das vítimas eram negras e que a juventude negra periférica é o grupo mais atingido.

Dados de 9 estados brasileiros totalizam 3.104 vítimas negras no ano passado; Bahia lidera ranking com 1.243 mortes



