Daniel Vorcaro ofereceu R$ 1 milhão para segurar reportagem sobre o Banco Master
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A cobertura de viés de esquerda trata o episódio como mais um capítulo do caso Banco Master, em que o poder econômico de um banqueiro tenta moldar o noticiário. O foco recai na promessa de R$ 1 milhão e na coincidência com a homologação do aumento de capital do BRB pelo Banco Central.
A cobertura de direita enfatiza o suposto favorecimento de um banqueiro por um grande jornal e a necessidade de transparência institucional. O tom é mais duro, com a ideia de que a imprensa tradicional foi condescendente com Vorcaro, embora o texto reconheça que o pagamento não está provado.
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Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele prometeu R$ 1 milhão a um consultor para segurar uma reportagem sobre o Banco Master. O jornal citado nega ter adiado o texto e diz que apenas deu prazo para ouvir o banqueiro.
Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele tentou interferir na publicação de uma reportagem sobre ele em um grande jornal paulista. A troca de mensagens foi divulgada por um portal de notícias de Brasília e envolve o consultor Guilherme Barros, que então prestava serviços ao banqueiro.
Segundo os diálogos, em 7 de agosto de 2024 Vorcaro orientou Barros a usar todos os contatos para segurar o texto. Prometeu um prêmio de R$ 1 milhão se nada fosse publicado e disse que, se a matéria saísse, o banco poderia quebrar. Ele também reclamou de um trecho sobre uma casa em Orlando, afirmando que o imóvel era do pai, com quem estaria brigado. No dia seguinte, Barros respondeu que o jornal ia segurar a matéria e citou uma resposta do então diretor de redação, Sérgio Dávila.
A cobertura de centro relatou que, em 8 de agosto de 2024, o Banco Central homologou o aumento de capital do Banco de Brasília, o BRB, o que permitiu ao banco público comprar mais de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Depois do adiamento, Dávila pediu uma data para um café com o banqueiro. O encontro ocorreu em 12 de agosto, na sede do jornal, com dois editores. A reportagem, sobre um banqueiro de 40 anos que chamava atenção por aquisições em série e uma festa com o cantor Alok, saiu em 30 de agosto, sem a menção à casa de Orlando.
O jornal nega ter segurado o texto. Afirma que a reportagem não estava pronta e que o pedido de Vorcaro foi apenas por prazo para ser ouvido, o que foi concedido. Também nega que o conteúdo tenha sido amenizado. Em texto publicado na noite de sexta-feira, 16 de outubro, chamou a reportagem do portal de mentirosa e de retaliação a uma denúncia publicada na quinta-feira anterior. Essa denúncia, divulgada por um grupo de comunicação e reproduzida pelo jornal, aponta que Vorcaro editou textos do portal antes da publicação: ao menos 14 textos foram enviados a ele e 11 foram alterados. O portal e sua direção contestam essa interpretação.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão de poder econômico do episódio. Enfatizaram a promessa de R$ 1 milhão, a coincidência com a homologação do aumento de capital do BRB e o encontro na redação, mas registraram a negativa do jornal e a acusação de retaliação.
Veículos de direita enfatizaram o suposto favorecimento do banqueiro pelo jornal e o fato de o encontro não ter sido divulgado publicamente. Em um caso, o título afirma que Vorcaro pagou o valor, embora o próprio texto reconheça que a troca de mensagens não comprova o pagamento.
O que ainda não se sabe: não há prova de que o R$ 1 milhão tenha sido pago nem de que a publicação tenha sido alterada em razão do pedido. Também não está esclarecido se houve relação entre a homologação do aumento de capital do BRB e a tentativa de adiar a reportagem. Vorcaro e Guilherme Barros não aparecem com resposta nos textos analisados.
O jornal afirma que a reportagem do site Metrópoles seria 'mentirosa' e se trata de uma 'retaliação'

Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele ofereceu R$ 1 milhão ao consultor de gestão de crise Guilherme
