A poucos meses da eleição presidencial de 2026, uma nova pesquisa Vox Brasil divulgada no sábado, 27 de junho, recolocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, lado a lado num eventual segundo turno. Lula aparece com 45,3% das intenções de voto e Flávio com 42,8%, diferença de 2,5 pontos que cabe dentro da margem de erro de 2,15 pontos e caracteriza empate técnico. No primeiro turno, o petista lidera com 38,3% contra 32,2% do senador.
O levantamento ouviu 2.100 pessoas em todo o país, entre 23 e 25 de junho, tem 95% de confiança e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06630/2026, com custo de R$ 50 mil pagos com recursos próprios. A cobertura de centro relatou esses números de forma direta, acrescentando que Lula também empata tecnicamente, no segundo turno, com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, e com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD. A mesma pesquisa traz ainda o ranking de rejeição: Lula é o nome mais rejeitado, com 52,3%, seguido por Flávio, com 49,5%, e por Aécio Neves, com 42,7%.
Os três campos convergem em pontos centrais. Todos reconhecem que Lula segue numericamente à frente, que a disputa é competitiva e que a margem é estreita demais para garantir conforto a qualquer lado. A divergência está na leitura desses mesmos números. Veículos de esquerda destacaram que Lula segura Flávio e lidera o confronto mais simbólico de 2026, PT contra bolsonarismo, mesmo sob desgaste de governo, pressão econômica e o que descrevem como ofensiva permanente da direita. Para essa cobertura, o resultado revela o teto de Flávio, que nem com o sobrenome mais forte da direita consegue abrir vantagem clara, e aponta fissuras no bolsonarismo, como as tensões públicas entre Michelle Bolsonaro e o senador.
Veículos de direita enfatizaram o movimento contrário: a vantagem de Lula caiu de 6,5 pontos no início de junho para apenas 2,5 pontos agora, sinal de erosão acelerada. Para esse enquadramento, a rejeição recorde de 52,3% expõe um presidente vulnerável, enquanto Flávio mantém competitividade e a centro-direita amplia o leque de alternativas com Zema e Caiado também empatando. Essa leitura ganha reforço no episódio em que Flávio criticou Lula após o presidente, em discurso em Itajaí, falar em racismo em Santa Catarina e mencionar Hitler. O senador classificou a fala como prova de que Lula não conhece os brasileiros, e a cobertura de centro reproduziu as declarações dos dois lados com paridade.
O pano de fundo, a 100 dias do primeiro turno, é de pressão sobre os dois campos. Pesquisas Quaest e Datafolha mantêm Lula na liderança, mas o caso Master atingiu Flávio após a divulgação de diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto a Operação Compliance Zero alcançou o senador Jaques Wagner, do PT, que deixou a liderança do governo no Senado. O TSE registra forte aumento da judicialização e endurece regras sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas.
O que ainda não se sabe é como esses números evoluem com o início oficial da campanha, previsto para agosto, e se a queda recente da vantagem de Lula se confirma como tendência ou é apenas oscilação dentro da margem. Também permanece em aberto o impacto eleitoral do caso Master sobre Flávio e da Operação Compliance Zero sobre o governo, além de qual candidato conseguirá conquistar o eleitorado independente, estimado em cerca de um terço do eleitorado e considerado decisivo para 2026.