Um levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, mostra empate técnico na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. O deputado federal Luciano Zucco, do PL, aparece com 34,4% das intenções de voto, e a ex-deputada Juliana Brizola, do PDT, com 31,4%. A diferença de três pontos fica dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, o que impede afirmar que exista liderança consolidada a pouco mais de um mês do primeiro turno.
Os quatro veículos que cobriram o estudo reproduzem o mesmo conjunto de números. O vice-governador Gabriel Souza, do MDB, apoiado pelo atual governador Eduardo Leite, do PSD, aparece em terceiro, com 11,3%, cerca de vinte pontos atrás dos dois primeiros colocados. Marcelo Maranata, do PSDB, prefeito de Guaíba, tem 4,1%. Cesar Pontes, do PCO, marca 2,3%; Rejane de Oliveira, do PSTU, 1,3%; e Priscila Voigt, da UP, 1,1%. Brancos, nulos e quem não votaria em nenhum candidato somam 7,7%, e 6,3% não souberam ou não quiseram responder. Foram 1.504 entrevistas presenciais e domiciliares em 67 municípios gaúchos, entre 18 e 20 de agosto, com grau de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RS-03898/2026. O instituto não simulou cenários de segundo turno nesta rodada.
Veículos de esquerda destacaram a leitura nacional do páreo, apresentando os dois primeiros colocados como projeções locais da disputa entre o bolsonarismo e o campo governista federal, e sublinharam que a candidatura do PDT chega competitiva à reta final. Essa cobertura também deu relevo ao desempenho fraco do candidato apoiado pelo governador, tratado como sinal de desgaste do projeto de continuidade no Palácio Piratini.
A cobertura de centro relatou o levantamento em registro técnico, com ênfase na ficha metodológica e no detalhamento do cenário estimulado, aquele em que os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado. Um dos textos de centro ampliou o escopo para a corrida ao Senado, onde a ex-deputada Manuela d'Ávila, do PSOL, lidera com 33,6%, seguida de um empate técnico pela segunda vaga entre Marcel Van Hattem, do Novo, com 26,9%, Germano Rigotto, do MDB, com 24,3%, e Paulo Pimenta, do PT, com 22,5%. Outro texto de centro foi o único a informar a pergunta literal aplicada aos entrevistados, o custo do estudo, de R$ 135.200, e a afirmação de que o Partido Liberal pagou o levantamento.
Veículos de direita enfatizaram os indicadores negativos dos candidatos e do governo estadual. Nessa cobertura, o dado central ao lado da intenção de voto é a rejeição: a candidata do PDT lidera entre os eleitores que não votariam em determinado nome de jeito nenhum, com 28,7%, à frente dos 24,2% do deputado do PL, enquanto o vice-governador é rejeitado por 10,6%. A mesma cobertura destacou que a gestão de Eduardo Leite divide o eleitorado, aprovada por 49,2% e desaprovada por 47,8%, com 33,4% classificando a administração como ótima ou boa e 34,0% como ruim ou péssima.
A divergência mais relevante entre as coberturas não está no enquadramento, e sim num fato de apuração. Um texto informa que o estudo foi pago pelo Partido Liberal, legenda do candidato que aparece à frente, enquanto outro afirma que o levantamento foi contratado pelo próprio instituto. As duas versões não foram confrontadas em nenhuma das matérias, e o registro público na Justiça Eleitoral, citado por todos, não foi usado para dirimir a contradição.
O que ainda não se sabe é como esse equilíbrio se comporta num eventual segundo turno, já que o instituto não simulou esse cenário, e qual das duas informações sobre o contratante da pesquisa é a correta. Também não há nas coberturas dados sobre a distribuição do voto por região do estado, por faixa de renda ou por escolaridade, nem comparação sistemática com levantamentos anteriores que permita afirmar se há movimento de crescimento ou de queda de qualquer dos candidatos.