40% das empresas ainda não ajustaram as notas fiscais à reforma tributária
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A reforma tributária avança para a fase de testes: em 2026 as notas fiscais de empresas do lucro real e presumido já devem trazer campos de IBS e CBS, antes da vigência da CBS em 2027. A Receita Federal aponta que a maior parte das notas já destaca a CBS, mas levantamento da Qive indica que 40,71% dos CNPJs analisados não aderiram totalmente no primeiro semestre.
Pela lente da liberdade econômica e da eficiência, o dado expõe o custo de conformidade que a reforma impõe ao setor produtivo: quase metade das empresas médias e grandes ainda não cumpre todas as exigências nas notas. A leitura provável é cobrar simplificação, segurança jurídica e menos burocracia antes da vigência da CBS em 2027.
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A Qive analisou 337,3 mil CNPJs e 226 milhões de notas do primeiro semestre de 2026 e concluiu que 40,71% das empresas de lucro real e presumido não aderiram totalmente aos campos de IBS e CBS. A CBS começa a valer em 2027.
A implantação da reforma tributária brasileira entrou numa fase decisiva: em 2026, as notas fiscais de empresas dos regimes de lucro real e lucro presumido já devem trazer, em caráter de teste, os campos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Levantamento da Qive, empresa de tecnologia especializada em gestão de documentos fiscais, indica que 40,71% dos CNPJs analisados terminaram o primeiro semestre de 2026 sem adesão total aos novos campos.
A Qive examinou 337,3 mil CNPJs e 226 milhões de notas emitidas entre janeiro e junho. Cerca de 85% das notas, o equivalente a 159,9 milhões, já saíram com IBS e CBS preenchidos em todos os itens. Entre as empresas, porém, 28,47% ainda não aderiram aos novos padrões e 12,24% fizeram apenas adesão parcial. Há diferenças entre estados: o Rio Grande do Sul tem a menor proporção de empresas sem adesão, com 19,89%, seguido por Santa Catarina, com 24,72%. Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas e Alagoas ficaram acima de 32%. São Paulo, maior emissor de notas do país, registrou 13,94% de notas de mercadorias sem os campos exigidos, perto da média nacional de 14,17%, mas 30,21% dos CNPJs paulistas ainda não haviam aderido.
A cobertura de centro acrescentou dados da Receita Federal: nos 30 dias anteriores ao levantamento, empresas obrigadas a destacar a CBS emitiram 3,7 bilhões de documentos com o destaque e 600 milhões sem a informação. Esses veículos também lembraram o desenho do novo sistema, um Imposto sobre Valor Agregado dual. O IBS substituirá o ICMS e o ISS, e a CBS substituirá o PIS e a Cofins. A CBS começa a valer em 2027 e o IBS entra gradualmente a partir de 2029. A mesma cobertura destacou que o maior desafio está na atualização dos sistemas de gestão, sobretudo para micro e pequenas empresas, que usam softwares básicos e enfrentam restrição de caixa e de crédito. O Sebrae lançou em agosto um simulador para essas empresas.
No recorte de enfoque, a cobertura de veículos de direita enfatizou o tamanho da parcela de empresas que ainda não cumpre as exigências e o custo de adaptação para o setor produtivo, tratando o dado como sinal de risco de conformidade antes da vigência. Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de esquerda sobre o tema. A leitura provável desse campo seria a de que a transição exige apoio público a pequenos negócios e a regiões com menos capacidade de adaptação, com atenção às desigualdades entre estados, mas isso não foi publicado nos artigos reunidos.
O que ainda não se sabe: o levantamento da Qive é de uma única empresa privada e cobre apenas médias e grandes companhias. Não há informação nos textos sobre eventuais penalidades para quem não se adaptar até 2027, nem sobre o que a Receita Federal pretende fazer com as empresas que seguem sem os campos. Também não está claro se a baixa adesão decorre de falta de sistemas, de dúvidas sobre as regras ou de ausência de obrigação efetiva na fase de testes.
Um dos principais objetivos da reforma tributária é eliminar a cumulatividade dos tributos e alterar as regras de créditos, preços e logística em diferentes setores

Em 2026, os documentos fiscais têm que ser preenchidos com as novas informações em fase de testes, para que transição comece a partir de 2027
