A dois dias do fim do prazo legal para as convenções partidárias, marcado para 5 de agosto de 2026, o candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, ainda não havia definido quem ocuparia a vaga de vice em sua chapa. O ex-governador de Minas Gerais foi oficializado candidato em convenção nacional realizada em 27 de julho, mas o encontro terminou sem qualquer indicação do segundo nome. A mesma indefinição atingia o senador Flávio Bolsonaro, do PL, deixando dois dos cinco presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas sem chapa completa.
A questão não era protocolar. A legislação eleitoral exige que quem encabeça a chapa apresente um candidato a vice, e o pedido de registro sem esse nome é indeferido pela Justiça Eleitoral. O prazo das convenções terminava em 5 de agosto e o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral vai até 15 de agosto.
A cobertura de centro relatou, com concordância entre as redações, o mesmo conjunto de fatos: as demais chapas competitivas já estavam fechadas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de Geraldo Alckmin, Ronaldo Caiado com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e Renan Santos com o militar da reserva Aroldo Medina. Também houve convergência sobre o histórico das negociações frustradas do candidato do Novo. Ele chegou a elogiar publicamente o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como possível companheiro de chapa, sem que as conversas avançassem, e tentou atrair o empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos, que acabou lançado candidato ao Senado por São Paulo. Dirigentes do partido atribuíram a dificuldade de coligação à estratégia de outras legendas, que priorizaram a disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados e optaram pela neutralidade na eleição presidencial.
Na terça-feira, 4 de agosto, o quadro se resolveu. O candidato afirmou em sabatina promovida por uma empresa de educação executiva que a definição sairia até quarta-feira e que o mais provável era escolher alguém da própria legenda. Horas depois, o senador Eduardo Girão, do Ceará, foi escolhido para a vaga. Girão era pré-candidato ao governo estadual e teria de abrir mão dessa disputa. Em nota, o partido afirmou que ele demonstrou coragem e integridade para enfrentar o que chamou de abuso de poder e censura em Brasília.
É nesse ponto que as ênfases da cobertura se separam. Veículos de direita destacaram os atritos internos do campo conservador como pano de fundo do impasse, incluindo o desgaste entre o candidato mineiro e o senador do PL após a divulgação de áudios envolvendo um ex-banqueiro, e a disputa em Minas Gerais em torno de uma candidatura própria ao governo estadual. A cobertura de centro concentrou-se na mecânica eleitoral: o efeito do vice sobre o tempo de propaganda gratuita, a busca por eleitores que não votariam na cabeça de chapa e os percentuais de intenção de voto, que colocavam o candidato do Novo entre 2% e 3% no primeiro turno, contra 41% do presidente e 37% do senador do PL em um dos levantamentos citados. Veículos de esquerda não integraram este recorte de cobertura, e nenhuma leitura desse campo é atribuída aqui.
Os textos também registraram que a campanha presidencial do Novo tem objetivo declarado no Congresso: ampliar a bancada e superar a cláusula de barreira, meta não alcançada em 2022. Segundo projeção interna citada na cobertura, o partido teria cerca de 1.250 candidatos neste ano, aumento expressivo em relação ao pleito anterior.
O que ainda não se sabe é se o senador escolhido formalizará a desistência da disputa estadual e como fica o palanque do partido no Ceará, cuja convenção estava marcada para a mesma noite. Também segue em aberto se a legenda usará a autorização aprovada em convenção para homologar alterações na chapa até 15 de agosto, e quem ocupará a vaga de vice na chapa do senador do PL, cujo anúncio estava previsto para o último dia do prazo.