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Lula concentrou a agenda do período de convenções na Bahia e no Ceará, os dois estados que lhe deram cerca de 70% dos votos no segundo turno de 2022. Nos dois, porém, os candidatos petistas ao governo estão empatados ou atrás nas pesquisas, enquanto o próprio presidente mantém larga vantagem nas simulações presidenciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentrou a agenda do período de convenções partidárias no Nordeste, região que lhe deu as maiores votações em 2022. Na sexta-feira, participou do lançamento da candidatura à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas. No dia seguinte, esteve na Bahia, no ato que lançou o governador Jerônimo Rodrigues à reeleição e no qual pediu voto para Jaques Wagner ao Senado. A própria candidatura do presidente à reeleição seria oficializada em convenção em São Paulo, às vésperas do início da campanha.
A cobertura de centro relatou que o partido chega a esse momento com um quadro mais apertado justamente nos dois estados que considerava consolidados. Na Bahia, levantamento Genial/Quaest divulgado na semana anterior apontou empate técnico no primeiro turno, com 39% para o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e 38% para Jerônimo Rodrigues. Na simulação de segundo turno, o ex-prefeito marca 43% e o governador, 39%. No Ceará, o ex-governador Ciro Gomes aparece com 43% contra 33% de Elmano de Freitas no primeiro turno, e a distância sobe para treze pontos no segundo turno, 48% a 35%. Em 2022, os dois estados deram cerca de 70% dos votos ao presidente no segundo turno.
Os relatos convergem também sobre o descolamento entre a disputa presidencial e as corridas estaduais. Na Bahia, Lula soma 52% das intenções de voto no primeiro turno, contra 18% de Flávio Bolsonaro. No Ceará, marca 55% contra 22%. Ou seja, o presidente mantém folga onde seus candidatos a governador estão empatados ou atrás. Fora desses dois estados, o partido tem outras três candidaturas próprias na região, e apenas o governador do Piauí, Rafael Fonteles, aparece como favorito. No Rio Grande do Norte, o secretário estadual de Fazenda Cadu Xavier enfrenta adversários bem posicionados. No Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão ainda não ganhou tração nas pesquisas.
Veículos de direita reproduziram a mesma apuração e deram relevo aos elementos de desgaste, com chamadas sobre as crises que acompanham o início da campanha e sobre a operação da Polícia Federal que atingiu o senador citado. O texto registra a conexão do diretório baiano com o chamado caso Master, no qual Jaques Wagner é suspeito, segundo a Polícia Federal, de ter atuado em defesa de interesses do banco em troca de vantagens indevidas. Até o momento não houve cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio. A leitura à esquerda, com base nos mesmos fatos, tenderia a enfatizar que o presidente segue amplamente à frente nos dois estados, que a gestão cearense é aprovada por 52% dos eleitores e que a disputa estadual é travada contra estruturas políticas locais historicamente enraizadas, sem que isso signifique perda de apoio popular ao governo federal.
Os analistas ouvidos nas reportagens divergem sobre a leitura de fundo. Um cientista político da Unilab afirma que a Bahia é fundamental para o partido no enfrentamento de alianças de direita e lembra que o carlismo tem força nas grandes cidades, embora a legenda tenha vencido no território metropolitano de 2006 a 2018. Ele atribui o avanço da oposição a um discurso calcado em gestão e em melhoria de saúde, segurança e educação. Uma cientista política da Universidade Estadual do Ceará enxerga um sinal de alerta para o partido no Nordeste e associa o quadro à consolidação de uma base antipetista alinhada ao bolsonarismo, citando o desempenho do deputado André Fernandes na disputa pela prefeitura de Fortaleza dois anos atrás. No Ceará, a articulação petista incluiu a costura da reeleição do senador Cid Gomes, o que coloca os irmãos Ferreira Gomes em palanques opostos.
O que ainda não se sabe é a ficha técnica completa do levantamento citado, incluindo data de campo, número de entrevistados e margem de erro. Também não há resposta pública dos adversários mencionados às avaliações dos pesquisadores, nem detalhamento sobre o estágio da apuração da Polícia Federal no caso Master e sobre a defesa apresentada pelo senador. Por fim, não está esclarecido se e como o desempenho do presidente nas pesquisas será convertido em apoio aos candidatos estaduais ao longo da campanha.
Toda a cobertura registra os mesmos números e a mesma leitura de fundo: Lula lidera com folga as simulações presidenciais na Bahia e no Ceará, enquanto os candidatos petistas ao governo desses estados estão empatados ou atrás de ACM Neto e Ciro Gomes. Há convergência também sobre a centralidade do Nordeste para a reeleição e sobre o avanço de uma oposição organizada em torno de pautas de gestão.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Texto majoritariamente factual: encadeia agenda de convenções, números de primeiro e segundo turno e ouve dois cientistas políticos com leituras distintas. O enquadramento privilegia a dificuldade petista (‘cenário desafiador’, ‘entrave’, ‘sinal de alerta’), mas os dados sustentam a manchete e o contraponto de que Lula lidera com 52% e 55% nos dois estados aparece no corpo, o que mantém o texto no registro de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
O corpo reproduz a mesma apuração factual, com os mesmos percentuais e as mesmas duas fontes acadêmicas. O que muda são as chamadas internas, que dão relevo às crises do governo e à operação da PF contra o senador citado. Esse realce é editorialmente sutil e não altera a substância factual do texto, que permanece de centro apesar do perfil do veículo.

Em 2022, ambos os estados deram cerca de 70% dos votos ao presidente no segundo turno

Em 2022, ambos os estados deram cerca de 70% dos votos ao presidente no segundo turno
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Perspectivas omitidas



