O Partido dos Trabalhadores vive um impasse para definir quem encabeçará a chapa ao governo de Minas Gerais em 2026 e, assim, oferecer um palanque à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo maior colégio eleitoral do país. O nó se formou depois que o senador Rodrigo Pacheco, do PSB, desistiu, no fim de maio, de disputar o cargo numa chapa que abrigaria o petista no estado.
Diante da desistência, a cúpula nacional e estadual do PT, em reunião com Lula no Palácio da Alvorada, decidiu lançar uma candidatura própria ao governo mineiro. O problema é que a principal aposta do partido, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, resiste à ideia. Favorita nas pesquisas para o Senado, ela deixou a prefeitura em abril com a condição de disputar uma vaga na Casa, e classificou a candidatura própria ao governo como um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado.
A cobertura de centro, feita pelo Estado de Minas e pela coluna PlatôBR, relatou que uma reunião entre Marília e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, está prevista para o domingo, 28 de junho, em Belo Horizonte, e que a ex-prefeita pretende não aceitar a tarefa. Os veículos de centro deram paridade às vozes do impasse: de um lado, deputados federais como Rogério Correia defendem um petista como cabeça de chapa, argumentando que, com Lula, o partido não precisa buscar um nome fora da legenda; de outro, aliados de Marília, como o histórico João Batista dos Mares Guia, atribuem a manobra a interesses de parlamentares e criticam uma decisão tomada sem ouvir as bases.
Veículos de direita, como a VEJA, enfatizaram o lado da fragilidade e do racha interno do partido. A reportagem destacou que o PT passou a pressionar fortemente Marília e que a ex-prefeita, nos bastidores, é incentivada a não ceder. Nessa leitura, ganha relevo a figura do pré-candidato de centro Gabriel Azevedo, do MDB, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, descrito por uma fonte como um Rodrigo Pacheco melhorado, porque, diferentemente do senador, ele quer ser candidato. Azevedo se apresenta como um nome de diálogo com todos os campos e de respeito às instituições.
Onde as coberturas convergem é nos fatos concretos: a desistência de Pacheco, a resistência de Marília, a decisão da cúpula por candidatura própria e a articulação de uma frente ampla com o MDB. Marília e Azevedo cumprem agenda conjunta neste sábado, 27 de junho, em Montes Claros, no norte do estado, com a intenção de gravar um vídeo defendendo a frente ampla e pressionar o PT a mudar de rumo. A divergência está no enquadramento: enquanto a cobertura de centro trata o episódio como uma disputa interna a ser resolvida pelo diálogo, a de direita o lê como sinal de desorganização e dificuldade do projeto petista em Minas.
O que ainda não se sabe é o desfecho da reunião de domingo com Edinho Silva, se Marília manterá a recusa, se o PT recuará para apoiar Azevedo ou insistirá num nome próprio, e como o relacionamento nacional entre PT e MDB, citado como o ponto mais complexo da costura, afetará a formação da chapa. A definição moldará o palanque de Lula no estado para a eleição de 2026.