Uma pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada em 8 de julho de 2026, apontou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como a mulher mais poderosa do Brasil na percepção espontânea do eleitorado. O levantamento ouviu 1.500 pessoas por telefone entre 3 e 6 de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05628/2026. Sem que uma lista de nomes fosse apresentada, 15,4% dos entrevistados citaram Michelle, à frente da primeira-dama Janja da Silva (9%), da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia (4,5%), da ex-presidente Dilma Rousseff (2,5%) e de nomes como Simone Tebet, Erika Hilton, Anitta, Marina Silva, Virgínia Fonseca e Tarciana Medeiros, todos abaixo de 2%.
A cobertura de centro, replicada por Poder360, O Liberal e TNOnline a partir de material da Agência Estado, concentrou-se nos números brutos da pesquisa e na simulação de cenários eleitorais. Em um segundo turno hipotético entre Lula e Michelle sem Flávio Bolsonaro na disputa, o presidente aparece com 45% e a ex-primeira-dama com 36%, um recuo de quatro pontos dela desde maio. Quando Flávio entra no cenário, ele soma 40% contra os mesmos 45% de Lula. Michelle se destaca em recortes específicos: 47,6% entre jovens de 16 a 24 anos, 48,4% no Norte, 53,2% no Sul e 63,3% entre evangélicos, sempre à frente do petista nesses grupos. A pesquisa também mediu a repercussão de vídeos em que Michelle relatou ter sido humilhada pelo enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 64% dos entrevistados consideraram as declarações dela total ou parcialmente verdadeiras.
Veículos de direita, a exemplo de O Antagonista, enfatizaram que a pesquisa expõe um erro estratégico da família Bolsonaro ao afastar Michelle do comando do PL Mulher e ao colocar em xeque sua candidatura ao Senado, justamente quando ela aparece com força espontânea no imaginário popular. Essa cobertura também destacou que a fala do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, ao afirmar que mulheres 'votam estatisticamente mal', encontrou rejeição quase unânime entre as próprias eleitoras ouvidas pela pesquisa, e apontou risco disso prejudicar a pré-campanha de Flávio junto ao eleitorado feminino.
Não houve cobertura identificada de veículos de esquerda especificamente sobre esta pesquisa. Ainda assim, uma leitura provável desse campo tenderia a interpretar o episódio como evidência de tensões de gênero dentro do próprio campo bolsonarista, e a relativizar o significado da 'força política' de Michelle, associando-a mais à sua posição familiar ao lado de um marido preso por tentativa de golpe de Estado do que a um mandato ou cargo conquistado por ela própria.
O que ainda não fica claro na cobertura é se a saída de Michelle do comando do PL Mulher, mencionada de forma lateral pelas fontes, já é definitiva, nem qual será o desfecho da disputa interna sobre sua candidatura ao Senado pelo Ceará. Também não há, até o momento, resposta pública de Flávio Bolsonaro às declarações da madrasta.