Trump militariza a guerra às drogas na América Latina e pauta o segundo turno
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A guerra às drogas dos Estados Unidos, iniciada por Richard Nixon em 1971, entrou numa nova fase sob Donald Trump, marcada por militarização e pela equiparação de traficantes a terroristas. O tema chegou à disputa presidencial brasileira entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Pela lente da esquerda, a guerra às drogas de Trump seria um pretexto para ampliar a influência americana e impor domínio sobre a região, com custo em vidas e em direitos, e o Brasil correria o risco de entregar soberania ao aderir.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Só a cobertura de centro tratou do tema: ela converge em que a política americana ficou mais militarizada e passou a equiparar traficantes a terroristas, com PCC e CV na lista de terrorismo.
A guerra às drogas dos Estados Unidos entrou numa nova fase sob Donald Trump, com mais militarização e facções classificadas como terroristas. A análise reúne o que a cobertura de centro relatou e o reflexo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A estratégia dos Estados Unidos contra o narcotráfico na América Latina entrou, segundo a cobertura analisada, numa nova era sob o presidente Donald Trump. A chamada guerra às drogas foi declarada em junho de 1971 por Richard Nixon e passou por várias fases, como erradicação de plantações de coca, acordos de extradição, fornecimento de armas e assistência militar. Apesar de bilhões de dólares investidos em mais de cinco décadas, o mercado ilegal nunca foi eliminado. Agora, com a cooperação de líderes aliados na região, a política se caracteriza por militarização crescente e por uma retórica que trata traficantes como terroristas.
A cobertura de centro relatou que, desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro do ano passado, os EUA designaram mais de 20 cartéis e organizações criminosas latino-americanas como organizações terroristas estrangeiras. Entre elas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apesar da oposição do governo brasileiro. A designação das facções brasileiras foi anunciada em maio, dois dias depois de uma visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Em setembro, na Assembleia Geral da ONU, os 15 países do Escudo das Américas se comprometeram a adotar sanções contra 24 facções, duas delas brasileiras.
O Escudo das Américas é uma aliança regional lançada por Trump. Na primeira cúpula, em março, na Flórida, 12 líderes anunciaram uma coalizão para erradicar os cartéis, o que abre caminho para o compartilhamento de inteligência e para o uso de força militar. Em agosto, o Comando Sul dos EUA anunciou uma força-tarefa de 18 países. Colômbia, Equador e Honduras já concordaram com ações conjuntas em seus territórios. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o efeito seria o mesmo dos ataques às embarcações, só que em terra. Esses ataques, iniciados no ano passado no Caribe e no Pacífico, mataram mais de 200 pessoas, sob a justificativa, sem evidências apresentadas, de que as vítimas eram narcoterroristas. Em janeiro deste ano, uma operação americana atacou Caracas e capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico.
Especialistas ouvidos pela cobertura divergem do governo americano sobre o enquadramento. A cientista política Vanda Felbab-Brown, da Brookings Institution, fala em militarização extrema e sem precedentes, e diz que o fortalecimento institucional que existia na Colômbia está fora da agenda. John Walsh, do Washington Office on Latin America, descreve uma política de assassinatos deliberados e lembra que cartéis são diferentes de redes terroristas. O relator especial da ONU Ben Saul falou em mortes extrajudiciais. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade dos ataques, porque suspeitos de tráfico são civis e estariam sujeitos à lei penal.
No Brasil, o tema se cruza com a eleição. Flávio Bolsonaro, do PL, disse que, se eleito, levará o país ao Escudo das Américas e defendeu a classificação de PCC e CV como terroristas. Lula, do PT, enfrenta o adversário no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Um auxiliar do presidente, ouvido em caráter reservado, comparou a política americana a um cavalo de Troia, em que o combate ao crime esconde a ampliação da influência dos EUA. Para Felbab-Brown, a relação com Flávio seria mais próxima, mas ela duvida de um papel amplo para as Forças Armadas americanas no Brasil, porque ele teria de contrariar grupos de apoio, como os militares brasileiros.
Até o momento, a cobertura foi só de veículos de centro. Veículos de esquerda e de direita ainda não trataram do assunto neste conjunto de matérias, e por isso não se atribui enquadramento a nenhum desses dois lados.
O que ainda não se sabe: Trump não declarou apoio explícito a nenhum candidato, embora chame Flávio de aliado. Também não há detalhes sobre como seria a cooperação militar no Brasil em cada cenário, nem evidências públicas que sustentem as acusações contra os alvos dos ataques no mar.
A quem pertence o direito de determinar o futuro das Américas? O post A aposta de Trump é ser dono da América Latina apareceu primeiro em Le Monde Diplomatique.

Com apoio de líderes de direita aliados, esforços dos EUA na região são marcados por aumento da militarização e retórica que equipara traficantes a terroristas.

Com apoio de líderes de direita aliados, esforços dos EUA na região são marcados por aumento da militarização e retórica que equipara traficantes a terroristas.
