O instituto Real Time Big Data colocou duas disputas estaduais no centro do noticiário eleitoral desta semana. No Paraná, o levantamento divulgado em 18 de agosto de 2026 mostrou o senador Sergio Moro (PL) na liderança do cenário estimulado para o governo do estado, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex (PSD), com 22%, e Requião Filho (PDT), com 20%, aparecem empatados dentro da margem de erro, e Luiz França (Missão) soma 2%. Na pergunta espontânea, feita sem apresentar nomes, 53% dos entrevistados não souberam dizer em quem votarão, o maior bloco isolado do levantamento.
Em São Paulo, o mesmo instituto informou que fará 2.000 entrevistas entre quarta e sábado, com divulgação prevista para segunda-feira, 24 de agosto, e margem de erro de dois pontos percentuais. Até que esses números saiam, o retrato disponível da disputa paulista vem de uma sondagem do Paraná Pesquisas publicada na quarta-feira, com o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 50% e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) em 33,8%. Em simulação de segundo turno, o mesmo instituto registrou 53% para Tarcísio de Freitas e 36,9% para Fernando Haddad.
Os dois blocos de cobertura convergem no essencial. Ninguém contesta os percentuais, ninguém contesta que os favoritos das duas corridas hoje são Sergio Moro no Paraná e Tarcísio de Freitas em São Paulo, e ambos tratam as pesquisas como fotografia de um momento anterior ao início efetivo da campanha. A ficha metodológica do levantamento paranaense também é ponto pacífico: 1.600 entrevistados entre 13 e 17 de agosto de 2026, contratação pela Real Time Mídia, nível de confiança de 95%, margem de erro de dois pontos e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-09262/2026.
A divergência está no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda concentraram a cobertura na disputa paulista e organizaram o texto em torno da desvantagem de Fernando Haddad, identificando o adversário pela filiação ideológica ao bolsonarismo e sublinhando que a campanha já começa com o governador como favorito, sem detalhar a metodologia da sondagem que sustenta essa conclusão. Veículos de direita fizeram o caminho oposto no Paraná: publicaram a série completa de números, os três cenários de segundo turno, a tabela de rejeição por candidato e a ficha metodológica integral, e ainda anexaram uma justificativa editorial sobre por que divulgam pesquisas, na qual lembram que levantamentos de 2022 apresentaram discrepâncias relevantes diante do resultado das urnas. Não há, até o momento, cobertura de veículos de centro sobre esse conjunto de pesquisas, o que deixa o leitor sem uma terceira leitura estritamente descritiva das duas corridas.
Os dados de rejeição, presentes apenas na cobertura do Paraná, complicam a leitura simples de favoritismo. Requião Filho é o nome que mais eleitores dizem não votar, com 41%, mas Sergio Moro vem logo atrás, com 38%, seguido por Sandro Alex, com 29%. Nos cenários de segundo turno, Moro vence Requião Filho por 55% a 27% e Sandro Alex por 45% a 30%, enquanto o confronto entre Sandro Alex e Requião Filho termina em empate técnico, 33% a 30%.
O que ainda não se sabe é justamente o que a semana promete responder. Os números do Real Time Big Data para São Paulo não foram divulgados, e não há informação pública sobre quem contratou essa rodada, quais cenários de segundo turno serão testados nem se ela confirmará a vantagem que outro instituto atribuiu a Tarcísio de Freitas. Também não há na cobertura comparação com rodadas anteriores dos mesmos institutos, o que impede afirmar se as lideranças estão crescendo, estáveis ou em queda, e não há reação das campanhas dos candidatos citados aos resultados publicados.