Sergio Moro lidera corrida ao governo do Paraná enquanto Senado fica embolado
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A leitura pelo prisma da esquerda concentra-se na disputa pelo Senado, onde o quadro segue aberto: quatro candidatos empatados tecnicamente e 28% de eleitores ainda indecisos mostram que nada está decidido no Paraná. Gleisi Hoffmann (PT) aparece numericamente à frente de Filipe Barros (PL) e de Deltan Dallagnol (Novo), sinal de que o campo popular mantém competitividade num estado historicamente adverso. A ênfase recai sobre o volume de indecisos e sobre o risco de tratar uma fotografia de quatro dias de agosto como resultado consumado, num pleito em que o horário eleitoral e os debates ainda não produziram efeito.
Pelo prisma da direita, a pesquisa confirma a consolidação de Sergio Moro como favorito ao Palácio Iguaçu e a resistência do eleitor paranaense tanto ao projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto à continuidade indicada pelo governador Ratinho Júnior.
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Todos os lados reproduzem os mesmos números e a mesma ficha técnica: 804 entrevistas entre 20 e 23 de agosto, margem de erro de três pontos percentuais, confiança de 95% e registro PR-05388/2026. Ninguém contesta que Sergio Moro lidera a disputa estadual nem que a corrida ao Senado está em empate técnico entre quatro candidatos.
A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto de 2026 mostra duas corridas em estágios opostos no Paraná: Sergio Moro abre 16 pontos sobre Requião Filho na disputa pelo governo, enquanto quatro candidatos ao Senado seguem tecnicamente empatados, com 28% dos eleitores ainda indecisos. Cada lado da cobertura recortou os mesmos números de um jeito diferente.
Uma pesquisa do instituto Quaest divulgada na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, redesenhou o tabuleiro eleitoral do Paraná a menos de seis semanas do primeiro turno. No levantamento, o senador Sergio Moro, filiado ao PL, aparece com 37% das intenções de voto para o governo estadual, seguido pelo deputado estadual Requião Filho, do PDT, com 21%, e pelo ex-secretário estadual Sandro Alex, do PSD, com 15%. Requião Filho e Sandro Alex estão tecnicamente empatados na segunda colocação, porque a diferença entre eles cabe na margem de erro de três pontos percentuais. Indecisos somam 18%, e votos brancos, nulos ou abstenções, 7%.
Na disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado, o quadro é outro. Quatro nomes aparecem em empate técnico: Alexandre Curi, do Republicanos, tem 15%; Gleisi Hoffmann, do PT, 11%; Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, 9% cada. Cristina Graeml, do PSD, marca 8%, e Dr. Rosinha, do PT, 6%. Os indecisos chegam a 28%, patamar maior que a votação de qualquer candidato isolado.
Os dois recortes saem do mesmo estudo. Foram 804 entrevistas realizadas entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro estimada em três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código PR-05388/2026 e foi contratado por uma emissora local. Esses dados aparecem de forma idêntica em toda a cobertura, e sobre eles não há divergência.
A divergência está no recorte escolhido. Veículos de direita enfatizaram a corrida ao Palácio Iguaçu e apresentaram a liderança de Sergio Moro como derrota antecipada dos padrinhos dos adversários: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia diretamente Requião Filho, e o governador Ratinho Júnior, que aposta em Sandro Alex como sucessor. Essa cobertura destacou ainda que Moro se filiou ao PL em março deste ano, em aliança com o senador Flávio Bolsonaro, para puxar o voto bolsonarista e garantir palanque presidencial no estado. Veículos de esquerda deixaram a disputa estadual de fora e trataram apenas do Senado, onde o campo governista segue competitivo, apresentando Gleisi Hoffmann numericamente à frente de Filipe Barros e Deltan Dallagnol dentro de um empate técnico. A cobertura de centro não registrou o levantamento até o momento, e o resultado é que nenhum lado ofereceu ao leitor a leitura conjunta das duas disputas.
Os cenários de segundo turno simulados pelo instituto reforçam a vantagem do senador. Moro derrotaria Requião Filho por 51% a 27% e Sandro Alex por 48% a 19%. Num confronto sem o líder, Requião Filho venceria Sandro Alex por 37% a 24%, com 23% de indecisos, o maior índice entre os três cenários testados.
O que ainda não se sabe é como esse quadro se comporta com a campanha em curso. A pesquisa é uma fotografia de quatro dias de agosto e não mede o efeito do horário eleitoral gratuito, dos debates ou da migração dos indecisos, que somam 18% na disputa estadual e 28% na senatorial. Nenhuma das reportagens traz reação das campanhas citadas nem série histórica que permita comparar a evolução dos candidatos ao longo do ano. Também não há detalhamento sobre o recorte regional das entrevistas nem sobre índices de rejeição, informação que costuma pesar em corridas com favorito consolidado.
Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann aparecem numericamente à frente de Filipe Barros e Deltan Dallagnol

Senador lidera a corrida ao Palácio Iguaçu, enquanto Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) empatam no primeiro turno
