Uma pesquisa do instituto Quaest divulgada na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, redesenhou o tabuleiro eleitoral do Paraná a menos de seis semanas do primeiro turno. No levantamento, o senador Sergio Moro, filiado ao PL, aparece com 37% das intenções de voto para o governo estadual, seguido pelo deputado estadual Requião Filho, do PDT, com 21%, e pelo ex-secretário estadual Sandro Alex, do PSD, com 15%. Requião Filho e Sandro Alex estão tecnicamente empatados na segunda colocação, porque a diferença entre eles cabe na margem de erro de três pontos percentuais. Indecisos somam 18%, e votos brancos, nulos ou abstenções, 7%.
Na disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado, o quadro é outro. Quatro nomes aparecem em empate técnico: Alexandre Curi, do Republicanos, tem 15%; Gleisi Hoffmann, do PT, 11%; Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, 9% cada. Cristina Graeml, do PSD, marca 8%, e Dr. Rosinha, do PT, 6%. Os indecisos chegam a 28%, patamar maior que a votação de qualquer candidato isolado.
Os dois recortes saem do mesmo estudo. Foram 804 entrevistas realizadas entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro estimada em três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código PR-05388/2026 e foi contratado por uma emissora local. Esses dados aparecem de forma idêntica em toda a cobertura, e sobre eles não há divergência.
A divergência está no recorte escolhido. Veículos de direita enfatizaram a corrida ao Palácio Iguaçu e apresentaram a liderança de Sergio Moro como derrota antecipada dos padrinhos dos adversários: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia diretamente Requião Filho, e o governador Ratinho Júnior, que aposta em Sandro Alex como sucessor. Essa cobertura destacou ainda que Moro se filiou ao PL em março deste ano, em aliança com o senador Flávio Bolsonaro, para puxar o voto bolsonarista e garantir palanque presidencial no estado. Veículos de esquerda deixaram a disputa estadual de fora e trataram apenas do Senado, onde o campo governista segue competitivo, apresentando Gleisi Hoffmann numericamente à frente de Filipe Barros e Deltan Dallagnol dentro de um empate técnico. A cobertura de centro não registrou o levantamento até o momento, e o resultado é que nenhum lado ofereceu ao leitor a leitura conjunta das duas disputas.
Os cenários de segundo turno simulados pelo instituto reforçam a vantagem do senador. Moro derrotaria Requião Filho por 51% a 27% e Sandro Alex por 48% a 19%. Num confronto sem o líder, Requião Filho venceria Sandro Alex por 37% a 24%, com 23% de indecisos, o maior índice entre os três cenários testados.
O que ainda não se sabe é como esse quadro se comporta com a campanha em curso. A pesquisa é uma fotografia de quatro dias de agosto e não mede o efeito do horário eleitoral gratuito, dos debates ou da migração dos indecisos, que somam 18% na disputa estadual e 28% na senatorial. Nenhuma das reportagens traz reação das campanhas citadas nem série histórica que permita comparar a evolução dos candidatos ao longo do ano. Também não há detalhamento sobre o recorte regional das entrevistas nem sobre índices de rejeição, informação que costuma pesar em corridas com favorito consolidado.