O instituto Real Time Big Data divulgou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, um bloco de pesquisas de intenção de voto que organiza o quadro eleitoral da Paraíba e expõe a indefinição da disputa pelo Senado em São Paulo. No estado nordestino, o governador Lucas Ribeiro (PP) lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 35% das intenções de voto, seguido por Cícero Lucena (MDB), com 25%, e por Efraim Filho (PL), com 21%. Para o Senado pela Paraíba, onde há duas vagas em jogo, o ex-governador João Azevêdo (PSB) aparece isolado na frente com 29%, à frente de Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 23%; Marcelo Queiroga (PL) e Nabor Wanderley (Republicanos) empatam com 15% cada.
Os números vêm de 1.600 entrevistas feitas na Paraíba entre os dias 19 e 22 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PB-07790/2026. O mesmo instituto ouviu 2.000 eleitores em São Paulo no mesmo período, sob o registro SP-01347/2026. Lucas Ribeiro chegou ao cargo como vice e assumiu o governo quando João Azevêdo renunciou para disputar o Senado, o que coloca aliado e ex-chefe em duas corridas paralelas no mesmo estado.
Toda a cobertura converge nos percentuais, na ficha técnica e nos três cenários de segundo turno simulados para o governo paraibano: Lucas Ribeiro venceria Cícero Lucena por 42% a 35% e Efraim Filho por 46% a 30%, enquanto Lucena bateria Efraim por 42% a 31% num confronto direto entre os dois. Em São Paulo, ninguém contesta o retrato de empate técnico pelas duas cadeiras, com Guilherme Derrite (PP) em 18%, Simone Tebet (PSB) em 17%, André do Prado (PL) em 15% e Marina Silva (Rede) em 14%, todos dentro da margem de erro. Ricardo Salles (Novo), com 10%, forma um segundo pelotão isolado.
A divergência está no recorte. Veículos de esquerda dividiram o levantamento paraibano em duas matérias e conduziram cada uma pelo nome que lidera, com destaque para o desempenho de João Azevêdo no Senado e para o favoritismo do governador na reeleição, sem publicar rejeição, aprovação de gestão nem o cenário espontâneo. Veículos de direita consolidaram governo e Senado numa única peça e enfatizaram justamente o que ficou de fora do outro lado: a aprovação de 65% da gestão estadual contra 30% de reprovação, a rejeição de 38% de Cícero Lucena, os 29% de Efraim Filho e os 28% do próprio Lucas Ribeiro, além dos 48% de eleitores que, na pergunta aberta, não sabem em quem votar para governador. Essa mesma cobertura acrescentou nota metodológica lembrando que pesquisas publicadas em 2022 divergiram do resultado das urnas e que o levantamento é leitura de momento, não previsão. A cobertura de centro, presente no tom estritamente descritivo das duas frentes, se limita aos percentuais, ao tamanho da amostra e ao registro no Tribunal Superior Eleitoral, sem atribuir causa aos números.
Há ainda uma diferença de agenda: apenas a cobertura de direita tratou a disputa paulista ao Senado nesta leva, o que colocou Guilherme Derrite, Simone Tebet, André do Prado, Marina Silva e Ricardo Salles no mesmo quadro comparativo, com explicação de como o primeiro e o segundo voto de cada entrevistado foram consolidados para 100%.
O que ainda não se sabe é como candidatos e partidos reagem aos números, já que nenhum dos textos ouviu os envolvidos. Também não foram divulgados índices de rejeição para as disputas ao Senado, nem cenário espontâneo em São Paulo, nem recorte por região, faixa de renda ou escolaridade que ajudaria a entender de onde vem a vantagem de Lucas Ribeiro e a indefinição paulista. As duas pesquisas foram contratadas pelo próprio instituto, e não há, até aqui, levantamento de outro instituto no mesmo período para comparação nos dois estados. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026.