A série de entrevistas com candidatos à Presidência promovida por uma emissora de TV aberta chegou à segunda noite nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, no estúdio. Na véspera, o primeiro sabatinado havia sido o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo. Os seis convidados foram definidos pelo desempenho na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, e o calendário segue até o fim da semana, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva previsto para quinta-feira, 27, e o senador Flávio Bolsonaro para sexta-feira, 28.
A cobertura de centro relatou o conteúdo das respostas sem adjetivação. Romeu Zema disse que manteria a reposição da inflação no salário mínimo e condicionou o ganho real ao equilíbrio das contas públicas e à queda dos juros. Afirmou que não pretende alterar de imediato a idade mínima de aposentadoria, embora admita revê-la conforme a expectativa de vida aumente, e defendeu simplificar a legislação trabalhista com um regime de trabalho por hora para ampliar a formalização. Sustentou ainda a privatização de estatais federais, entre elas a Petrobras, citando as 118 vendas de empresas e participações que atribui à sua gestão em Minas Gerais, entre as quais Light, Helibras e Copasa. Sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, disse não reconhecê-los como tentativa de golpe e prometeu anistia aos condenados ou o deslocamento dos julgamentos para fora do Supremo Tribunal Federal. Ronaldo Caiado, na noite seguinte, também confirmou que pretende anistiar os condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e comparou a medida à anistia concedida por Juscelino Kubitschek aos militares da Revolta de Jacareacanga, em 1956.
Veículos de esquerda destacaram menos as propostas e mais o comportamento do candidato do PSD diante dos entrevistadores. Descreveram a participação como um vexame, relataram que Caiado evitou responder de forma objetiva, concentrou as falas em ataques a Lula e a Flávio Bolsonaro e reagiu com aspereza a uma pergunta sobre aposentados, dizendo que não estava diante de uma banca examinadora. Essa cobertura leu a postura como flerte com o autoritarismo e registrou que a comparação histórica com 1956 foi contestada no próprio estúdio, ao ser lembrado que parte dos militares anistiados por Kubitschek participou ou apoiou o golpe de 1964.
Nenhum veículo de direita cobriu o episódio no conjunto de fontes reunido até agora, e a ausência pesa: a promessa de anistia, a crítica ao Supremo Tribunal Federal e a defesa da privatização da Petrobras são exatamente os pontos em que a leitura de direita costuma responder à crítica feita à esquerda, e esse contraponto não aparece no material disponível. A divergência efetivamente registrada, portanto, está entre a cobertura factual de centro, que trata a anistia como proposta de campanha a ser detalhada e cobra do candidato números e prazos, e a cobertura de esquerda, que a trata como perdão a condenados por atentar contra o regime democrático e mede o desempenho pelo constrangimento gerado.
O que ainda não se sabe é se o presidente participará da entrevista de quinta-feira: a presença não havia sido confirmada oficialmente pela campanha até a publicação das matérias, e o Palácio do Planalto avaliava propor outro formato ou a realização em Brasília. Tampouco há, nas fontes reunidas, a proposta concreta de Ronaldo Caiado para os aposentados, pergunta que ficou sem resposta, nem levantamento que meça o efeito das duas primeiras noites na intenção de voto. O quadro anterior às entrevistas, pela média de pesquisas citada na cobertura, trazia Lula com 40%, Flávio Bolsonaro com 34%, Caiado com 5% e Zema com 2% no primeiro turno.