Ronaldo Caiado promete anistia irrestrita ao 8 de Janeiro se for eleito
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Em sabatina televisiva com presidenciáveis realizada em 25 de agosto de 2026, o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou que enviará ao Congresso Nacional um projeto de anistia “ampla, geral e irrestrita” a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Ele comparou a medida à anulação das condenações de Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, comparação que parte da cobertura corrigiu: a decisão de 2021 anulou os processos por incompetência de foro e parcialidade do juiz, não por anistia. Caiado também prometeu uma Proposta de Emenda à Constituição limitando as despesas federais à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto, sem dizer o que cortaria, e evitou responder se mudaria a idade mínima de aposentadoria.
Pelo prisma da direita, Ronaldo Caiado oferece uma saída para o ciclo de revanche política: anistiar todos os envolvidos no 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e encerrar de vez a disputa que trava o país.
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Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Toda a cobertura registra os mesmos fatos: Caiado prometeu enviar ao Congresso Nacional projeto de anistia sem restrições aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro; propôs limitar a despesa federal à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto; sugeriu uma polícia conjunta sul-americana; e não respondeu se mudaria a idade mínima de aposentadoria.
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, disse que enviará ao Congresso Nacional um projeto de anistia sem restrições aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro. Na mesma sabatina, prometeu emenda constitucional para limitar gastos federais, propôs uma polícia conjunta sul-americana e evitou responder sobre a idade mínima de aposentadoria.
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou em 25 de agosto de 2026, durante sabatina televisiva com presidenciáveis, que enviará ao Congresso Nacional um projeto de anistia “ampla, geral e irrestrita” a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Questionado sobre o alcance da medida, disse que ela beneficiaria executores, financiadores, incitadores, militares e o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenados pelo Supremo Tribunal Federal pela tentativa de golpe de Estado. “A todos, ampla, geral e irrestrita”, respondeu.
O ex-governador de Goiás justificou a proposta como instrumento de pacificação. “Nós precisamos acabar com essa polarização. Nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação”, declarou. Sustentou que a anistia é recorrente na história brasileira desde o Império, disse ser “um democrata na essência” e comparou a medida à decisão que devolveu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o direito de disputar eleições.
A cobertura de centro registrou as propostas e acrescentou uma correção factual: a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre Lula não foi anistia. O tribunal anulou as condenações da Operação Lava Jato em 2021 por entender que o processo tramitou em foro incompetente e por reconhecer parcialidade do juiz que o conduziu. Essa mesma cobertura destacou que o candidato prometeu uma Proposta de Emenda à Constituição limitando as despesas federais à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto, sem dizer quais áreas seriam cortadas, e que não respondeu se elevaria a idade mínima de aposentadoria numa reforma da Previdência. Cobrado pelos números do ajuste, respondeu com uma analogia: “Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente. Calma.” Também chamou o arcabouço fiscal vigente de “grande farsa” e disse que a reforma administrativa alcançaria Executivo, Legislativo, Judiciário e Tribunal de Contas da União.
Em segurança pública, Caiado propôs a criação da Sulpol, força policial conjunta de países sul-americanos nos moldes da Europol, com poder de efetuar prisões em território brasileiro e de compartilhar inteligência. Disse que o Brasil virou “a Disneylândia do narcotráfico” e que não vê motivo para autorizar operações dos Estados Unidos no país, tema que ganhou peso depois do anúncio norte-americano de ações antidrogas na América Latina. Prometeu ainda revisar a reforma tributária aprovada, criticando a alíquota estimada de 28% do Imposto sobre Valor Agregado e o Imposto Seletivo, e pediu ao Supremo a abertura dos sigilos das apurações sobre fraudes no INSS, o caso Master e a Operação Carbono Oculto, investigações que podem alcançar adversários seus na disputa.
Veículos de direita deram menos espaço à sabatina e mais à trajetória do candidato: a origem em família tradicional goiana, o início na União Democrática Ruralista nos anos 1980, os cinco mandatos de deputado federal, a liderança da bancada ruralista, o apoio a Bolsonaro em 2018 e o rompimento durante a pandemia de covid-19, além da aprovação de 87% em Goiás medida pelo instituto Genial/Quaest. Essa cobertura enquadrou a anistia como promessa de pacificação e apresentou o plano fiscal “Governo Eficiente” como resposta ao desperdício de dinheiro público. Registrou também que a escolha do nome pelo comando do PSD, com Gilberto Kassab como vice, surpreendeu a bancada do partido na Câmara dos Deputados e foi lida por parlamentares como aproximação com o campo bolsonarista.
Não houve cobertura de esquerda entre os veículos que trataram do caso. O ângulo que costuma vir desse lado, a leitura da anistia como impunidade para quem atacou as sedes dos Três Poderes e como esvaziamento da responsabilização penal decidida pelo Supremo, não apareceu nas reportagens analisadas.
Ainda não se sabe quais despesas seriam efetivamente cortadas pela emenda prometida, nem se a reforma da Previdência mexeria na idade mínima. Também não está claro qual seria a base jurídica de uma anistia que alcance condenados por tentativa de golpe, como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal reagiriam ao texto, nem se os demais países sul-americanos foram consultados sobre a polícia transnacional proposta.
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