Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas de campanha em pelo menos cinco estados nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, em um dia dividido entre sabatinas, entrevistas, reuniões com empresários e trabalho de rua. O calendário coincide com uma série de entrevistas ao vivo com presidenciáveis, exibida entre 24 e 29 de agosto em uma emissora aberta e nas plataformas ligadas a ela, com convite restrito aos seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto e com ordem definida por sorteio na presença de representantes dos partidos.
Houve convergência entre as coberturas sobre o essencial do dia. Flávio Bolsonaro, do PL, desembarcou em Maceió, fez carreata, reuniu-se com empresários do setor produtivo e participou da Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus. Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Missão, discursaram no fórum da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, em São Paulo. Romeu Zema, do Novo, foi à comunidade Tavares Bastos, na zona sul do Rio de Janeiro, tratar de segurança pública, e em seguida participou de sabatina. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, não teve agenda de campanha e cumpriu compromisso oficial na cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília. Augusto Cury, do Avante, foi a Montes Claros, em Minas Gerais, para o lançamento estadual da campanha. Hertz Dias, do PSTU, Samara Martins, da UP, Rui Costa Pimenta, do PCO, Wilson Grassi, do Democrata, e Clariana Barão, do DC, também registraram compromissos. Edmilson Costa, do PCB, não divulgou agenda. Pablo Marçal, do PRTB, segue impedido, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, de fazer campanha, ir a debates e usar o horário eleitoral no rádio e na televisão.
As propostas apresentadas ao longo do dia também são consenso factual entre as fontes. Caiado afirmou que a solução para geração, transmissão e distribuição de energia passa pela iniciativa privada. Renan Santos criticou o modelo das emendas parlamentares e defendeu fiscalização por um Procurador-Geral da República independente. Flávio Bolsonaro prometeu levar ao Nordeste o modelo de produção de alimentos do Centro-Oeste. Cury defendeu a adoção do semipresidencialismo. Lula reafirmou, em vídeo nas redes sociais, o fim da escala 6 por 1, projeto sob análise no Senado. Clariana Barão propôs centros integrados de atendimento à violência doméstica, com delegacia 24 horas e posto de Instituto Médico Legal.
As diferenças estão na hierarquia editorial, não nos fatos. A cobertura de centro tratou o dia como serviço, organizando horários, endereços e cidades, com ressalva explícita de que a agenda informada pelas campanhas poderia mudar, e reservou destaque à mecânica das entrevistas televisivas. Veículos de esquerda deram desenvolvimento maior às falas sobre direitos trabalhistas, com espaço para a denúncia de que trabalhadores de aplicativo atuam sem proteção social e sob algoritmos que definem a renda sem transparência, e para a plenária de apoiadores em uma ocupação que abriga mais de trinta famílias em prédio abandonado da Universidade Federal de Sergipe. Não houve, até o fechamento desta edição, cobertura de veículos de direita sobre a agenda desta terça-feira no conjunto analisado; o enquadramento provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, cobraria detalhamento das promessas de gasto público, valorizaria a defesa da iniciativa privada no setor de energia e a proposta de retomada de áreas sob domínio de facções criminosas, e questionaria o critério que usa uma pesquisa de intenção de voto para decidir quem entra no horário nobre.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhuma das fontes informou a data nem os fundamentos da decisão do Tribunal Superior Eleitoral que suspendeu a campanha de Pablo Marçal, tampouco se há recurso pendente. Não há verificação independente de que os compromissos anunciados pelas assessorias tenham sido cumpridos. Também não foram divulgados o custo, o prazo ou a fonte de financiamento das propostas de investimento em energia, irrigação e segurança pública, nem qualquer critério de compensação para as candidaturas que ficaram fora do corte da pesquisa e, com ele, fora da série de entrevistas.