O instituto Quaest divulgou na terça-feira, 25 de agosto de 2026, uma rodada de pesquisas de intenção de voto em três dos maiores colégios eleitorais do país, e o número que organiza todos os cenários não pertence a nenhum candidato: é o de quem ainda não escolheu. No Rio de Janeiro, 69% dos entrevistados disseram estar indecisos sobre o voto para governador na pesquisa espontânea, aquela em que nenhuma lista de nomes é apresentada. Em Minas Gerais, o índice chega a 80%. Nas disputas pelo Senado, a indefinição é ainda maior: 88% no Rio, 94% em Minas e 91% em São Paulo. Os três levantamentos foram encomendados por um mesmo grupo de comunicação e ouviram, respectivamente, 1.302, 1.506 e 1.800 eleitores entre os dias 21 e 24 de agosto, com nível de confiança de 95%.
Quando os nomes passam a ser apresentados, no chamado cenário estimulado, o quadro ganha contorno. Na disputa pelo Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) marca 37%, seguido por Douglas Ruas (PL), com 14%, e Anthony Garotinho (Republicanos), com 7%; os indecisos caem de 69% para 20%. Na corrida pelas duas vagas fluminenses ao Senado, Benedita da Silva (PT) aparece com 10%, Carlos Jordy (PL) com 7%, Marcelo Crivella (Republicanos) com 6%, e Monica Benicio (PSOL) e Carlos Portinho (PL) com 5% cada, um empate técnico entre os cinco primeiros dentro da margem de três pontos percentuais. Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva (Rede) têm 12% cada, Simone Tebet aparece com 11%, André do Prado (PL) com 7% e Salles (Novo) com 5%. Em Minas, no cenário espontâneo para o governo, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera com 11%, à frente de Patrus Ananias (PT), com 3%, e de Alexandre Kalil (PDT), com 2%.
A cobertura de centro relatou os números com ficha técnica completa e deu espaço à leitura do próprio instituto. O cientista político e diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que índices tão altos de indecisão apontam para a possibilidade de grandes reviravoltas até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e atribuiu o quadro ao desconhecimento dos postulantes: boa parte dos candidatos ao governo e ao Senado, segundo ele, é pouco conhecida do eleitorado. Nessa leitura, o início da propaganda eleitoral na televisão é a variável capaz de mover a agulha nas próximas semanas.
Veículos de direita enfatizaram o cenário paulista e acrescentaram uma ressalva ao próprio instrumento. A cobertura lembrou que pesquisas publicadas em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas, tratou os levantamentos como leitura de momento e chamou a atenção do leitor para metodologia, composição da amostra e formulação das perguntas. O mesmo enquadramento registrou que os resultados influenciam decisões de partidos, de lideranças políticas e até os humores do mercado financeiro, e explicitou que a pesquisa foi contratada por um grande grupo de comunicação. Do ponto de vista dos números, a ênfase recaiu sobre nomes competitivos ligados a pautas de segurança pública e de liberdade econômica.
Até o momento não houve cobertura de veículos de esquerda sobre esta rodada de pesquisas. O ângulo que costuma organizar essa leitura, o de que o desconhecimento generalizado dos candidatos beneficia quem já dispõe de estrutura, notoriedade e financiamento, e o de que a propaganda eleitoral gratuita funciona como instrumento de equalização, não apareceu no noticiário sobre este levantamento. O contraste entre os 16% de citação espontânea e os 37% de intenção estimulada de Eduardo Paes (PSD) é o dado que sustentaria esse argumento nos próprios números divulgados.
O que ainda não se sabe é considerável. As matérias não trazem cenários de segundo turno para os governos estaduais, índices de rejeição de cada candidato nem a taxa de conhecimento individual que ajudaria a explicar a indecisão. Também não há dados divulgados para os demais estados, e nenhuma das coberturas ouviu as campanhas afetadas. Resta em aberto se a entrada da propaganda em rede aberta reduzirá de fato os percentuais de indecisão e em que velocidade isso ocorrerá até 4 de outubro.