O instituto Real Time Big Data divulgou nesta semana levantamentos que desenham o tabuleiro de duas disputas estaduais das eleições de 2026. No Rio Grande do Sul, a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) aparece na liderança do primeiro turno ao governo, com 38% das intenções de voto. O deputado federal Luciano Zucco (PL) vem em seguida, com 32%, à frente do vice-governador Gabriel Souza (MDB), que tem 19%, e do ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB), com 4%. Brancos e nulos somam 3%, mesmo percentual dos indecisos. No Amazonas, o senador e ex-governador Omar Aziz (PSD) lidera a corrida ao governo com 34%, seguido pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), com 22%, pela Professora Maria do Carmo (PL), com 21%, e por David Almeida (Avante), com 14%. Na disputa pelo Senado amazonense, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) tem 24%, com Wilson Lima (União Brasil) em 19% e Eduardo Braga (MDB) em 18%.
As simulações de segundo turno são o ponto mais sensível dos dois levantamentos. No Rio Grande do Sul foram testados três cenários. No confronto entre Juliana Brizola e Luciano Zucco, ela tem 45% e ele 41%, diferença dentro da margem de erro, com 7% de indecisos e outros 7% de brancos e nulos. Zucco vence Gabriel Souza por 43% a 38%, e Brizola vence o mesmo adversário por 48% a 35%. No Amazonas foram seis simulações, três delas com empate técnico: Roberto Cidade tem 38% contra 36% da Professora Maria do Carmo; Omar Aziz aparece com 42% diante dos 41% de Cidade; e Maria do Carmo marca 43% contra 42% de Aziz. Nos demais cenários, Maria do Carmo vence David Almeida por 45% a 33%, Aziz vence o mesmo adversário por 42% a 35% e Cidade faz 44% a 34%.
A metodologia é idêntica nos dois estados e não é contestada por nenhuma das coberturas. Foram ouvidos 1.600 eleitores no Rio Grande do Sul, entre 20 e 24 de agosto, e 1.600 eleitores no Amazonas, entre 21 e 25 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os levantamentos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos RS-09640-2026 e AM-09965/2026, e a pesquisa gaúcha foi bancada com recursos próprios do instituto.
A cobertura de centro concentrou-se na reprodução integral dos números e da metodologia, com destaque para a liderança gaúcha de Juliana Brizola e para o uso rigoroso da expressão empate técnico quando a diferença cabe dentro da margem de erro. Veículos de esquerda deram tratamento igualmente factual, mas escolheram o Amazonas como recorte principal e enfatizaram o equilíbrio do quadro estadual, o número de simulações com empate e a competitividade de mais de um nome fora do grupo favorito. Veículos de direita não publicaram material sobre estes levantamentos no conjunto analisado, o que configura um ponto cego de cobertura; o ângulo que costuma organizar essa leitura, o desempenho de candidaturas ligadas à pauta de segurança e ordem em ambos os estados, está nos próprios números divulgados, sem que tenha sido enquadrado por esse campo.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhum dos levantamentos mede rejeição, grau de conhecimento dos candidatos ou motivação de voto, e nenhuma das coberturas apresenta série histórica que permita distinguir tendência de oscilação. As candidaturas citadas ainda não passaram por convenção partidária, e composições de chapa, alianças e eventuais desistências podem alterar o quadro. Também não há informação sobre a disputa ao Senado no Rio Grande do Sul dentro deste recorte, nem explicação sobre o arranjo que levou o atual governador do Amazonas ao cargo, contexto que ajudaria a interpretar seu patamar de intenções de voto.