Uma sequência de levantamentos divulgados em 24 e 25 de agosto de 2026 recolocou o tamanho real das disputas deste ano no centro do debate político brasileiro, em três planos ao mesmo tempo: Senado, governo estadual e Presidência da República.
No Rio Grande do Sul, o instituto Real Time Big Data mediu a corrida pelas duas vagas do Senado e encontrou cinco nomes em faixa de empate técnico. Marcel Van Hattem (Novo) aparece numericamente à frente, com 20%, seguido de Manuela d'Ávila (Psol), com 19%, Ubiratã Sanderson (PL), com 17%, Paulo Pimenta (PT), com 15%, e Germano Rigotto (MDB), também com 15%. Frederico Antunes (PSD) tem 5%. Foram 1.600 eleitores gaúchos ouvidos entre 20 e 24 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e registro RS-09640/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. Como cinco candidatos disputam duas cadeiras dentro do intervalo estatístico, nenhuma combinação de resultado está descartada.
No plano nacional, o levantamento BTG/Nexus registrou Lula (PT) com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL). Ronaldo Caiado tem 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema aparecem com 3% cada. Foram 2.006 entrevistas por telefone entre 21 e 23 de agosto, com margem de dois pontos. Em Mato Grosso, o Paraná Pesquisas apontou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) com 39% e o senador Wellington Fagundes (PL) com 35%, seguidos de Doutora Natasha (PSD), com 8,7%. O instituto ouviu 1.504 eleitores entre 21 e 23 de agosto, com margem de 2,6 pontos e registro MT02157/2026. Na simulação de segundo turno, Pivetta tem 44,3% e Fagundes, 40,8%.
O pano de fundo é a maior renovação do Senado em anos: em 2026 são disputadas 54 das 81 cadeiras. Um levantamento sobre os registros do Tribunal Superior Eleitoral identificou que 104 dos 315 candidatos ao Senado, ou 33%, nasceram fora da unidade federativa que pretendem representar, proporção 11 pontos percentuais acima da média das demais candidaturas. Não há irregularidade nisso: a Constituição exige domicílio eleitoral na circunscrição, não naturalidade, e o prazo de filiação partidária e domicílio terminou em 4 de abril.
Os três eixos de cobertura convergem no essencial. Todos os textos publicam amostra, período de campo, margem de erro e, na maior parte dos casos, o número de registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral, o que permite ao leitor conferir por conta própria as leituras de empate técnico. Nenhum deles atribui vitória a qualquer candidato nem trata os percentuais como resultado consumado.
As ênfases, porém, se separam. Veículos de esquerda concentraram a cobertura nas disputas estaduais, divulgando as tabelas completas do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso e destacando que a corrida gaúcha está inteiramente aberta, com Manuela d'Ávila e Paulo Pimenta dentro da margem de erro em relação ao primeiro colocado. A cobertura de centro relatou a rodada presidencial em nota curta, sublinhando o estreitamento entre Lula e Flávio Bolsonaro, e produziu a análise de dados sobre o perfil dos candidatos ao Senado, apresentando lado a lado casos de campos opostos, de Carlos Bolsonaro (PL), que disputa por Santa Catarina, a Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas por São Paulo. Até o fechamento, veículos de direita não integraram este conjunto de coberturas, de modo que a leitura de que o governo em exercício não consegue abrir vantagem apesar de liderar não aparece formulada por nenhuma fonte do material reunido.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhum dos levantamentos informa quem contratou a pesquisa, e nenhum traz série histórica do próprio instituto que permita afirmar quem subiu e quem caiu. Não há cenários de segundo turno divulgados para a corrida presidencial nesta rodada, nem detalhamento sobre como o empate quíntuplo no Rio Grande do Sul se traduziria na distribuição das duas vagas. Também não há reação das campanhas envolvidas aos números, nem avaliação sobre se as transferências recentes de domicílio eleitoral serão contestadas na Justiça Eleitoral.