Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, esteve com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no sábado, 24 de agosto, em Brasília. Foi o primeiro encontro entre os dois depois de trinta dias de suspensão das visitas. O reencontro só foi possível porque o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encerrou a restrição em decisão publicada na sexta-feira, 21 de agosto, e recolocou Carlos e o irmão Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú e candidato a deputado federal, na lista de visitantes permanentes do ex-presidente.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária após a condenação no processo da trama golpista. A suspensão das visitas havia sido determinada depois que o ministro entendeu que as condições impostas foram descumpridas, com a divulgação de conteúdo de caráter político-eleitoral a partir de uma visita. Durante o período de restrição, o acesso ao ex-presidente ficou limitado a médicos, advogados e fisioterapeutas.
As duas frentes de cobertura convergem no essencial. A cobertura de centro relatou os termos completos do despacho: o veto a visitas de finalidade político-eleitoral e à divulgação de manifestos por quaisquer meios continua valendo, qualquer outra pessoa que queira ver o ex-presidente segue dependendo de autorização prévia e expressa da Corte, e o ministro determinou a comunicação imediata da decisão à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e ao Núcleo de Custódia da Polícia Militar, além de dar ciência à Procuradoria-Geral da República. Veículos de direita registraram os mesmos fatos e a mesma cronologia, com destaque para o relato publicado por Carlos Bolsonaro em rede social, no qual afirma ter abraçado e chorado com o pai e ter passado ao lado dele as duas horas permitidas aos sábados.
A divergência está no que cada lado coloca no centro do texto. A cobertura de centro deu peso ao trecho mais duro da decisão, em que Moraes adverte que eventual novo descumprimento poderá ensejar a reavaliação imediata do benefício, com adoção de medidas mais gravosas, inclusive a reversão da prisão domiciliar humanitária em regime fechado. Também anotou que Jair Renan não publicou indício de visita e passou o fim de semana em agendas de campanha nas ruas de Santa Catarina. Já veículos de direita organizaram a matéria em torno da experiência familiar, com duas citações longas do desabafo do filho, sem mencionar a condenação que originou a prisão domiciliar nem a advertência sobre o regime fechado, o que desloca a leitura do cumprimento de pena para o custo humano da medida cautelar.
Veículos de esquerda não haviam publicado sobre o episódio até o momento, o que configura um ponto cego de cobertura. Pelos fatos disponíveis, a ênfase provável desse lado recairia sobre a natureza do benefício em discussão, uma pena cumprida em casa por razões de saúde, e sobre o fato de a restrição ter decorrido de um descumprimento concreto, com o tribunal preservando durante todo o período o acesso de médicos, advogados e fisioterapeutas.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhuma das matérias informa o estado de saúde atual de Jair Bolsonaro, e o próprio filho não deu detalhes sobre isso. Também não há data explícita do episódio que motivou a suspensão, nem definição sobre quais outros familiares e aliados voltarão a ter autorização para visitar o ex-presidente. Não houve manifestação pública da defesa nem da Procuradoria-Geral da República sobre a nova decisão, e não está esclarecido como o veto a manifestações político-eleitorais será fiscalizado no período de campanha, com dois filhos disputando cargos eletivos.