A primeira rodada de pesquisas do instituto Quaest sobre a corrida presidencial de 2026 nos estados, divulgada entre a segunda-feira 24 e a terça-feira 25 de agosto, cobre 17 estados e o Distrito Federal e desenha um país eleitoralmente partido ao meio. Nos três maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, aparecem em empate técnico. Em São Paulo são 30% a 29% para o senador; em Minas Gerais, 31% a 30%; no Rio de Janeiro, 31% a 29%. Em todos os casos a diferença cabe dentro da margem de erro, o que impede declarar liderança.
Fora do Sudeste, as vantagens são amplas e nitidamente regionais. Lula lidera com folga no Nordeste: 58% no Maranhão contra 20% de Flávio Bolsonaro, 54% em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, 50% na Paraíba e 44% em Alagoas. Flávio Bolsonaro domina no Sul e no Centro-Oeste, com 45% em Santa Catarina e em Rondônia, 43% em Mato Grosso e 41% no Paraná. Os maiores índices de indecisos estão no Rio Grande do Sul, com 18%, em Minas Gerais e no Paraná, com 17% cada, e no Rio de Janeiro, com 16%, estado em que outros 16% dizem que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer. As margens de erro são de dois pontos percentuais em São Paulo e de três nos demais estados, com nível de confiança de 95%, e cada levantamento tem número de registro na Justiça Eleitoral.
A cobertura de centro tratou os dados de forma agregada, com ênfase no empate nos três maiores colégios eleitorais e no detalhamento metodológico de cada pesquisa. Foi também nesse bloco de cobertura que apareceu a ressalva sobre o recorte: os cenários consolidados não incluem Pablo Marçal, do PRTB, que está inelegível e cujo pedido de registro ainda será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Nas reportagens que testaram os dois cenários, o melhor desempenho do candidato foi de 5%, em Mato Grosso do Sul.
As divergências de cobertura aparecem menos nos números e mais na escolha do que ampliar. Veículos de esquerda destacaram as disputas estaduais em que o campo à direita não tem hegemonia, como Mato Grosso, onde o senador Wellington Fagundes, do PL, tem 27% contra 23% do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, também em empate técnico. O enquadramento sublinha o tamanho da base eleitoral do presidente no Nordeste e o peso do bloco que ainda não decidiu o voto. Veículos de direita concentraram a cobertura nas corridas estaduais em que seus nomes lideram com margem confortável, sobretudo São Paulo, onde Tarcísio de Freitas, do Republicanos, soma 40% contra 27% de Fernando Haddad, do PT, e amplia para 47% a 30% na simulação de segundo turno. Esse bloco de cobertura acrescentou ainda ressalvas editoriais sobre a confiabilidade das pesquisas, lembrando as discrepâncias entre levantamentos e urnas em 2022 e o efeito dos resultados sobre decisões de partidos e sobre o mercado financeiro.
As mesmas rodadas mediram as disputas estaduais. No Amazonas, o senador Omar Aziz, do PSD, lidera a corrida ao governo com 26%, seguido por Roberto Cidade, do União Brasil, com 18%, Professora Maria do Carmo, do PL, com 16%, e David Almeida, do Avante, com 15%. Para o Senado no estado, Eduardo Braga, do MDB, aparece com 25%, à frente de Capitão Alberto Neto, do PL, com 16%. Nas pesquisas espontâneas, sem apresentação de nomes, o percentual de indecisos passa de 70% tanto para governo quanto para Senado, sinal de que boa parte do eleitorado ainda não fixou opções.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há série histórica publicada nesta rodada que permita medir se as posições subiram ou caíram em relação a levantamentos anteriores do mesmo instituto. Não se sabe como o Tribunal Superior Eleitoral vai decidir sobre a candidatura de Pablo Marçal nem para onde iriam seus votos caso ele fique de fora em definitivo. Também não há dados sobre a migração dos indecisos, que somam quase um quinto do eleitorado em quatro estados, e nenhuma das reportagens traz reação das campanhas aos números. A eleição está marcada para 4 de outubro.