Pesquisas divergem sobre Deltan Dallagnol e Alexandre Curi ao Senado no Paraná
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Dois institutos divulgaram em 24 de agosto de 2026 pesquisas sobre as duas vagas do Paraná no Senado com resultados incompatíveis. O levantamento da Quaest, com 804 entrevistados entre 20 e 23 de agosto e margem de erro de 3 pontos percentuais, aponta Alexandre Curi (Republicanos) com 15%, Gleisi Hoffmann (PT) com 11% e Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) com 9% cada, em números consolidados de primeira e segunda vaga. O da Alfa Inteligência, com 1.200 entrevistas por telefone entre 18 e 22 de agosto e margem de erro de 2,8 pontos, traz Deltan Dallagnol com 33%, Gleisi Hoffmann com 28% e Alexandre Curi com 25%, num formato em que cada eleitor cita dois nomes e a soma ultrapassa 100%. Ambas estão registradas na Justiça Eleitoral.
Os dois levantamentos mostram que a esquerda segue competitiva numa das duas vagas do Paraná, estado historicamente hostil ao Partido dos Trabalhadores. Gleisi Hoffmann aparece empatada na primeira vaga na pesquisa da Quaest, com 18%, e em segundo lugar no levantamento da Alfa Inteligência, com 28%, mesmo sendo o nome com maior taxa de conhecimento entre os eleitores e o alvo mais constante de campanhas de desgaste desde a Operação Lava Jato.
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3 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Todas as coberturas concordam que a disputa pelas duas vagas do Paraná está aberta: Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e Deltan Dallagnol aparecem no pelotão da frente nos dois levantamentos, o desconhecimento dos candidatos é alto e mais da metade dos eleitores diz que ainda pode mudar o voto até 4 de outubro.
Dois levantamentos divulgados em 24 de agosto de 2026 desenharam cenários opostos para as duas vagas do Paraná no Senado. A pesquisa da Quaest coloca Alexandre Curi na frente, com Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e Deltan Dallagnol logo atrás; a da Alfa Inteligência aponta Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann na liderança. A leitura abaixo compara as metodologias e o que cada lado destacou.
A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado chegou à última semana de agosto com dois retratos incompatíveis divulgados no mesmo dia. Um levantamento do instituto Quaest, publicado em 24 de agosto de 2026, colocou o deputado Alexandre Curi, do Republicanos, à frente, com 15% dos votos totais, seguido por Gleisi Hoffmann, do Partido dos Trabalhadores, com 11%, e por Filipe Barros, do Partido Liberal, e Deltan Dallagnol, do Novo, ambos com 9%. Horas antes, uma pesquisa do instituto Alfa Inteligência inverteu a ordem: Deltan Dallagnol apareceu com 33%, Gleisi Hoffmann com 28% e Alexandre Curi com 25%.
A diferença começa na metodologia, e é ela que explica boa parte do descompasso. A Quaest ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, e consolidou em um único total as menções para a primeira e para a segunda vaga, de modo que a soma fecha em 100%. A Alfa Inteligência entrevistou 1.200 eleitores por telefone entre 18 e 22 de agosto, com margem de erro de 2,8 pontos, e apresentou percentuais que somam bem mais de 100%, porque cada entrevistado cita dois nomes e todos são contados. As duas pesquisas foram registradas na Justiça Eleitoral, sob os números PR-05388/2026 e PR-05032/2026.
Os dois levantamentos convergem em um ponto central: a disputa está aberta e o eleitorado mal começou a formar opinião. Na pesquisa espontânea da Quaest, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, 90% não souberam citar um candidato ao Senado. Entre os que já escolheram, 53% dizem que ainda podem mudar o voto até 4 de outubro. O desconhecimento é alto para quase todos: 51% não sabem quem é Alexandre Curi, 60% não sabem quem é Deltan Dallagnol, 62% não conhecem Filipe Barros e 69% não conhecem Cristina Graeml, do Partido Social Democrático. A exceção é Gleisi Hoffmann, conhecida por 82% do eleitorado, com 26% que votariam nela e 56% que não votariam, a maior rejeição medida na disputa.
A cobertura de centro relatou os números pela chave da margem de erro, tratando Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e Deltan Dallagnol como tecnicamente empatados na primeira vaga e detalhando amostra, período de campo, custo do levantamento e registro eleitoral. Nessa leitura, nenhum candidato lidera de fato e a diferença de seis pontos entre o primeiro e o quarto colocado não sustenta manchete de favoritismo. Um dos textos de centro traz uma inconsistência interna, ao informar margem de erro de 3 pontos em um trecho e de 2 pontos em outro, sem corrigir.
Veículos de esquerda destacaram a pesquisa que dá a liderança a Deltan Dallagnol e a Gleisi Hoffmann e trataram o resultado como confirmação de que o campo governista segue competitivo no Paraná, estado em que o Partido dos Trabalhadores costuma ter desempenho ruim. Essa cobertura, porém, não explicou que os percentuais somam mais de 100% por causa das duas vagas nem mencionou o levantamento de resultado oposto publicado no mesmo dia, e veio acompanhada de bloco editorial que enquadra a eleição de 2026 como disputa entre democracia e avanço conservador.
No conjunto reunido até aqui, nenhum veículo de direita publicou análise própria do levantamento. O ângulo que esse campo costuma enfatizar está nos dados divulgados e não foi explorado: a soma dos votos de Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Cristina Graeml supera a dos dois candidatos do Partido dos Trabalhadores, e a rejeição de 56% a Gleisi Hoffmann é a mais alta da disputa. Do outro lado, essa mesma fragmentação em três nomes é o principal obstáculo do campo conservador, porque cada eleitor precisa distribuir dois votos entre candidatos diferentes.
O que ainda não se sabe é por que dois institutos chegaram a ordens tão distintas em campos praticamente simultâneos. Nenhuma das coberturas comparou as duas metodologias, nem explicou o efeito da entrevista por telefone em relação à presencial, nem apresentou recortes por região do estado, faixa de renda ou escolaridade. Também não há dado público sobre transferência de voto entre os candidatos de cada campo, informação decisiva numa eleição em que cada eleitor escolhe dois nomes e mais de um quarto do eleitorado segue indeciso.
Levantamento da Quaest ouviu 804 eleitores do Paraná de 20 e 23 de agosto; margem de erro é de 3 pontos. Leia no Poder360.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são mostrados aos eleitores, 90% estão indecisos.

Alfa Inteligência: Alexandre Curi é o terceiro colocado. Cada estado elegerá dois representantes à Casa Alta
