Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas no mesmo dia, 24 de agosto de 2026, deram leituras diferentes sobre quem lidera a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado. O levantamento da Quaest apontou o deputado Alexandre Curi (Republicanos) na frente, com 15% dos votos totais, seguido por Gleisi Hoffmann (PT), com 11%, e por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), ambos com 9%. Cristina Graeml (PSD) marcou 8% e Dr. Rosinha (PT), 6%. Já o levantamento da Alfa Inteligência colocou Deltan Dallagnol em primeiro, com 33%, seguido por Gleisi Hoffmann, com 28%, e Alexandre Curi, com 25%. Filipe Barros aparece com 21%, Cristina Graeml com 17% e Dr. Rosinha com 15%.
A diferença entre os dois retratos tem explicação metodológica, e não apenas política. Em 2026, cada estado elege dois senadores, e o eleitor precisa votar em dois nomes distintos. A Quaest ouviu 804 eleitores de 16 anos ou mais entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais e registro PR-05388/2026 na Justiça Eleitoral, e distribuiu as menções de primeira e de segunda vaga em um total que soma 100%. A Alfa Inteligência entrevistou 1.200 eleitores por telefone entre 18 e 22 de agosto, com margem de 2,8 pontos e registro PR-05032/2026, e apresentou os percentuais sem essa normalização, o que eleva os números individuais e impede a comparação direta entre as duas tabelas.
As duas medições convergem em pontos relevantes. Os mesmos seis nomes concentram a competitividade, e os candidatos de partidos menores, Karen Guerreiro (Missão), Marcelo Marcelino (PCO) e Joaquim do MLB (Unidade Popular), permanecem na casa de 0% a 3% em ambos. A indefinição é grande: na pergunta espontânea, sem lista de nomes, 90% dos entrevistados não souberam citar nenhum candidato ao Senado, e 53% dizem que ainda podem mudar o voto até a eleição, marcada para 4 de outubro. O desconhecimento também é alto no cenário estimulado: 51% afirmam não conhecer Alexandre Curi, 60% não conhecem Deltan Dallagnol, 62% não conhecem Filipe Barros e 69% não conhecem Cristina Graeml.
A cobertura de centro publicou o conjunto completo dos dados, incluindo os cenários de primeira e de segunda vaga separadamente e a tabela de rejeição, em que Gleisi Hoffmann registra 56% de eleitores que dizem conhecê-la e não votar nela, o maior índice da disputa, seguida por Dr. Rosinha, com 30%. Veículos de esquerda destacaram o levantamento em que Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann aparecem à frente, apresentando a ex-presidente do Partido dos Trabalhadores como parte do bloco de liderança, sem publicar os índices de rejeição nem o cenário espontâneo, e enquadraram a eleição como um momento decisivo diante do avanço conservador no Congresso. Veículos de direita não cobriram os dois levantamentos até o momento; o ângulo que costuma organizar esse campo, a soma das candidaturas conservadoras e a disputa entre Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Alexandre Curi pelo mesmo eleitor antipetista, aparece apenas de forma indireta nos números publicados.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhum dos dois levantamentos mediu o efeito de eventuais desistências ou de acordos partidários que reduzam a quantidade de nomes em campo, nem o impacto que a disputa presidencial pode exercer sobre a escolha para o Senado. Não há dado público sobre o comportamento do eleitor que hoje se declara indeciso, faixa que vai de 28% no cenário de votos totais a 39% na segunda vaga. Também não se conhece a reação dos candidatos aos números de rejeição, e não houve, até aqui, uma terceira medição capaz de arbitrar a divergência entre os dois institutos.