As pesquisas de intenção de voto divulgadas entre o fim de julho e o dia 24 de agosto de 2026 mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, à frente na corrida presidencial, com o senador Flávio Bolsonaro, do PL, em segundo lugar e reduzindo a distância nos cenários de segundo turno. Os levantamentos feitos integralmente depois do início da campanha nas ruas e nas redes são os que registram a disputa mais apertada.
No Datafolha publicado em 21 de agosto, o primeiro realizado inteiramente durante a campanha, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% na pesquisa estimulada de primeiro turno. Ronaldo Caiado, do PSD, marca 5%; Renan Santos, do Missão, 4%; e Romeu Zema, do Novo, 3%. No confronto direto de segundo turno, o instituto registrou 47% para o presidente e 43% para o senador, empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos. Foram 2.058 eleitores ouvidos entre 18 e 20 de agosto, com registro BR-04496/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
Os demais institutos repetem a ordem. A Quaest de 14 de agosto aponta 38% a 31% no primeiro turno e 43% a 40% no segundo, com 2.004 entrevistas presenciais entre 10 e 13 de agosto. A Meio/Ideia de 5 de agosto traz 43% a 35% no primeiro turno e 48,5% a 43% no segundo, com 1.500 eleitores ouvidos por telefone. A Atlas/Bloomberg de 28 de julho registra 44,9% a 35,8% e, no segundo turno, 47,4% a 37%, a maior distância do conjunto, a partir de 5.000 entrevistas por questionário web.
A cobertura de centro relatou esse material instituto por instituto, com amostra, período de campo, margem de erro e número de registro no Tribunal Superior Eleitoral de cada levantamento, e destacou que a diferença no segundo turno passou a caber dentro da margem nas rodadas mais recentes. Veículos de esquerda destacaram a leitura agregada: uma média ponderada de seis pesquisas, com peso maior para os institutos de cobertura e periodicidade mais amplas, que resulta em 39,1% para Lula e 31,8% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 45,1% a 41,2% no segundo. Nesse recorte entram duas rodadas ausentes da outra cobertura: a BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto, com campo entre 21 e 23, que aponta 41% a 37% no primeiro turno e 46% a 45% no segundo, e o PoderData/Aya, também com 46% a 45%. Veículos de direita não integram este conjunto de cobertura; a leitura provável desse campo, a partir dos mesmos números, enfatizaria que um presidente em exercício não alcança os 50% dos votos válidos necessários para decidir a eleição em turno único e que a vantagem encolheu a um ponto assim que a campanha começou.
Os dois recortes convergem no essencial. Lula lidera em todos os institutos e em todos os cenários testados, nenhum levantamento o coloca acima do patamar necessário para vencer no primeiro turno, e a distância no segundo turno diminuiu nas pesquisas realizadas durante a primeira semana de campanha. Também convergem em que Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema seguem em faixa de um dígito, sem que nenhum deles ameace a polarização entre os dois primeiros colocados.
A divergência é de método e de recorte. A leitura de centro trata cada pesquisa como unidade, com sua ficha técnica, e evita somar institutos de desenhos amostrais diferentes. A leitura de esquerda combina os seis levantamentos em uma média ponderada por pesos que não são divulgados em detalhe, e apresenta o resultado com precisão de décimos, sem margem de erro associada. As duas abordagens chegam ao mesmo vencedor da rodada, mas a segunda produz um número único que suaviza os extremos, enquanto a primeira preserva a dispersão entre um instituto que aponta dez pontos de vantagem e outro que aponta um.
O que ainda não se sabe é se o estreitamento observado nas rodadas de 21 a 24 de agosto se confirma nos próximos levantamentos ou se é oscilação de campo. Nenhuma das coberturas informa percentuais de indecisos, brancos e nulos, que definem o tamanho real do estoque de votos em disputa. Também não há ficha técnica divulgada para parte das pesquisas que compõem a média ponderada, nem cenários testados sem Flávio Bolsonaro ou com outros nomes da oposição, o que impede avaliar quanto do voto atribuído a ele é transferível.