O Datafolha vai a campo entre 18 e 20 de agosto para a primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República depois do início oficial da campanha eleitoral. A divulgação está marcada para 21 de agosto. O levantamento tem registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026 e testa os treze candidatos inscritos, entre eles Pablo Marçal, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, que formalizou a candidatura no limite do prazo, na noite de 15 de agosto, enquanto responde a ações eleitorais que o deixaram inelegível.
Toda a cobertura converge nos números do desenho da pesquisa. Serão 2.058 entrevistas presenciais com pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O questionário começa pela pergunta espontânea, em que o eleitor diz o nome sem ver lista, e segue para a pergunta estimulada, com o cartão de candidatos. Além do primeiro turno, o instituto vai simular quatro cenários de segundo turno: Luiz Inácio Lula da Silva contra Flávio Bolsonaro, contra Ronaldo Caiado, contra Romeu Zema e contra Renan Santos. Também serão medidas a rejeição de cada nome, a avaliação do governo federal em escala de ótimo a péssimo e a aprovação do trabalho do presidente.
A cobertura de centro concentrou-se na verificação dos dados e na comparação com a série histórica. Foi por esse caminho que apareceram o custo contratado do levantamento, de R$ 307 mil, a lista completa dos treze nomes testados e os resultados da rodada anterior, divulgada em 24 de julho, quando o primeiro turno registrava Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32%, e o segundo turno entre os dois estava em 48% a 43%. Essa mesma cobertura registrou que a Justiça Eleitoral ainda vai analisar o pedido de registro de Marçal e que, até a decisão, ele pode fazer campanha como qualquer outro candidato.
Veículos de direita deram maior espaço ao desenho interno do questionário e à situação judicial do candidato recém-inscrito. Detalharam que a pergunta estimulada terá dois cartões, o 1A com Pablo Marçal na lista e o 1B sem ele, o que permitirá comparar o efeito da presença do nome sobre a distribuição dos votos. Também destacaram que uma das três ações que resultaram em condenação à inelegibilidade já foi revertida no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, que outra teve a inelegibilidade mantida e está sob recurso, e que a terceira ainda tramita em primeira instância. Essa cobertura chamou atenção ainda para o bloco que mede a percepção do eleitor sobre possíveis interferências de outros países nas eleições brasileiras, distinguindo quem vê problema, quem não vê e quem considera a hipótese inexistente. Um dos textos informa que foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do levantamento no conjunto de matérias analisado, de modo que a leitura desse campo aqui apresentada é inferida dos fatos disponíveis, e não de texto publicado. A divergência observável, portanto, é menos ideológica e mais de foco: de um lado a checagem de custo, amostra e série histórica; de outro o mecanismo do questionário e o cerco judicial em torno de um único candidato.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhum resultado foi coletado até a publicação desta reportagem, e os números de 21 de agosto são desconhecidos. Não há definição sobre o registro da candidatura de Pablo Marçal, nem esclarecimento público sobre qual dos dois cartões será tratado como cenário principal na divulgação. Também não está explicado o destino prático dos votos declarados a ele caso o registro seja indeferido depois da coleta. A rodada é a primeira de uma série anunciada de 130 pesquisas até a véspera do primeiro turno, cobrindo Presidência, Senado e governos estaduais.