Aliados de ACM Neto e Ciro Gomes pregam voto casado com Lula no Nordeste
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Candidatos ao governo estadual sem apoio de Luiz Inácio Lula da Silva nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste convivem com a propaganda do voto casado: voto em Lula para a Presidência e em adversários do PT para os governos da Bahia, de Pernambuco e do Ceará. ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes não estimulam publicamente o arranjo, mas também não o combatem, enquanto aliados o divulgam com os apelidos Lula-Neto, LuQuel e Lula lá, Ciro cá. O PT reagiu na Justiça Eleitoral e por meio de dirigentes, e o episódio se soma ao quadro nacional apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A leitura à direita vê no voto casado a evidência de que o PT perdeu o monopólio do voto nordestino: o eleitor separa a escolha presidencial da estadual e premia gestão em vez de sigla. ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes teriam construído desempenho próprio, com avaliação administrativa e capilaridade municipal, ao ponto de disputar de igual para igual com candidatos apadrinhados por Lula.
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2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
As duas linhas de cobertura reconhecem que Lula mantém ampla vantagem eleitoral no Nordeste e que Flávio Bolsonaro tem dificuldade concreta para montar palanques estaduais na região, mesmo com um vice alagoano na chapa.
Nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste, adversários do PT convivem com a propaganda do voto casado: Lula para a Presidência e um nome de oposição para o governo estadual. O PT reagiu na Justiça Eleitoral e por meio de dirigentes, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro segue sem palanque forte na região.
Candidatos ao governo estadual que não têm o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a conviver, sem desmentir, com a propaganda do chamado voto casado nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste. A fórmula pede voto em Lula para a Presidência e em um adversário do PT para o governo do estado. Os casos se repetem na Bahia, com ACM Neto, em Pernambuco, com Raquel Lyra, e no Ceará, com Ciro Gomes. Juntos, os três estados reúnem cerca de 25,5 milhões de eleitores.
Veículos de direita detalharam a mecânica dessa articulação e o desconforto que ela cria para o PT. Na Bahia, aliados de ACM Neto espalham a dupla Lula-Neto em redes sociais e em santinhos, e o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia multou em R$ 5 mil, na segunda-feira 24, o ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias por uma dessas publicações. O próprio ACM Neto diz apoiar Ronaldo Caiado para presidente e afirma não ter responsabilidade pela escolha de cada eleitor. Em Pernambuco, o deputado federal Túlio Gadêlha aparece ao lado de Lula e da governadora Raquel Lyra na versão local do arranjo, apelidada de LuQuel; Lyra não declarou voto para a Presidência e chamou Lula de pernambuquista em ato em Olinda. No Ceará, Ivo Gomes, irmão de Ciro Gomes, publicou a peça Lula lá, Ciro cá, e o ex-governador Camilo Santana reagiu no domingo 23 relembrando ataques que Ciro dirigiu a Lula em 2022. O deputado Mauro Benevides Filho perdeu a vice-liderança do governo na Câmara depois de aderir à campanha de Ciro.
A cobertura de centro tratou o mesmo tabuleiro por outro ângulo, o da aritmética nacional. Nessa leitura, a vantagem de Lula no Nordeste é ampla, mas pode ser neutralizada pelo bloco formado por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Números de pesquisa citados nessa cobertura mostram a disputa presidencial apertada, com Lula em 39% e Flávio Bolsonaro em 33% no primeiro turno e 47% a 43% em simulação de segundo turno, além de amplo domínio do presidente entre nordestinos e liderança do candidato do PL no Sul. O mesmo raciocínio aponta que nenhum dos dois tem palanque estadual confiável em Minas Gerais, que Tarcísio de Freitas oferece estrutura robusta a Flávio Bolsonaro em São Paulo e que Eduardo Paes, favorito no Rio de Janeiro, é palanque forte, porém ambíguo, para Lula.
Os dois recortes convergem em dois pontos. O primeiro é que a força eleitoral de Lula no Nordeste continua intacta o bastante para atrair até adversários declarados do PT. O segundo é que Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldade concreta para montar palanques regionais fora do Sul e do Sudeste, mesmo tendo escolhido como vice o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas. Divergem no peso que atribuem a esse quadro: a cobertura de direita insiste no custo político imediato para o PT, que reage por meio de dirigentes e da Justiça Eleitoral; a de centro subordina o Nordeste ao resultado no Sudeste, onde estaria o desfecho da eleição.
Veículos de esquerda não registraram o caso até o momento, e a ausência é relevante: o argumento que costuma aparecer nesse campo, o de que a adesão a Lula na região decorre de política social e ganho de renda, não tem espaço próprio no material disponível e aparece apenas de forma indireta, nas falas de dirigentes petistas reproduzidas pela reportagem.
O que ainda não se sabe é qual será o efeito real do voto casado nas urnas: não há pesquisa estadual citada que meça a adesão dos eleitores ao arranjo. Também segue em aberto se Raquel Lyra e Ciro Gomes vão declarar voto presidencial até o fim da campanha, se a multa aplicada na Bahia terá recurso e se Flávio Bolsonaro conseguirá estruturar palanque competitivo na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. A campanha do PL não se manifestou sobre o diagnóstico de isolamento regional descrito na cobertura.
Os três estados concentram parcela decisiva do eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias

Petistas recorrem a declarações públicas e até mesmo à Justiça Eleitoral para evitar associação, enquanto rivais optam pela inércia; situação ocorre na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, respectivamente os três dos principais colégios eleitorais da região
