
Aliados de ACM Neto e Ciro Gomes pregam voto casado com Lula no Nordeste
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Candidatos ao governo estadual sem apoio de Luiz Inácio Lula da Silva nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste convivem com a propaganda do voto casado: voto em Lula para a Presidência e em adversários do PT para os governos da Bahia, de Pernambuco e do Ceará. ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes não estimulam publicamente o arranjo, mas também não o combatem, enquanto aliados o divulgam com os apelidos Lula-Neto, LuQuel e Lula lá, Ciro cá. O PT reagiu na Justiça Eleitoral e por meio de dirigentes, e o episódio se soma ao quadro nacional apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
Candidatos ao governo estadual sem apoio de Luiz Inácio Lula da Silva nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste convivem com a propaganda do voto casado: voto em Lula para a Presidência e em adversários do PT para os governos da Bahia, de Pernambuco e do Ceará.
Direita
A leitura à direita vê no voto casado a evidência de que o PT perdeu o monopólio do voto nordestino: o eleitor separa a escolha presidencial da estadual e premia gestão em vez de sigla. ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes teriam construído desempenho próprio, com avaliação administrativa e capilaridade municipal, ao ponto de disputar de igual para igual com candidatos apadrinhados por Lula.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Coluna analítica que distribui vulnerabilidades entre os dois polos com simetria: aponta o desgaste de Lula com investigações no entorno familiar e, na sequência, as fragilidades de Flávio Bolsonaro e do palanque do PL no Rio de Janeiro. O vocabulário é descritivo e apoiado em números de pesquisa (39% a 33% no primeiro turno, 47% a 43% no segundo), sem léxico valorativo de esquerda ou direita. A metáfora do Triângulo das Bermudas para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro é recurso retórico, não enquadramento ideológico.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Reportagem de apuração com paridade de fontes: dá voz a ACM Neto e a Ciro Gomes, ao dirigente petista Éden Valadares, ao ministro José Guimarães e ao ex-governador Camilo Santana, além de cientista político da Fundação Getulio Vargas. Registra também a reação judicial da campanha petista e o resultado da ação. Apesar de o veículo ter perfil editorial à direita, o texto não adota vocabulário valorativo nem enquadra o voto casado como virtude ou fraude, ficando na descrição do arranjo e de seus custos para os dois lados.
Nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste, adversários do PT convivem com a propaganda do voto casado: Lula para a Presidência e um nome de oposição para o governo estadual. O PT reagiu na Justiça Eleitoral e por meio de dirigentes, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro segue sem palanque forte na região.
Candidatos ao governo estadual que não têm o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a conviver, sem desmentir, com a propaganda do chamado voto casado nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste. A fórmula pede voto em Lula para a Presidência e em um adversário do PT para o governo do estado. Os casos se repetem na Bahia, com ACM Neto, em Pernambuco, com Raquel Lyra, e no Ceará, com Ciro Gomes. Juntos, os três estados reúnem cerca de 25,5 milhões de eleitores.
Veículos de direita detalharam a mecânica dessa articulação e o desconforto que ela cria para o PT. Na Bahia, aliados de ACM Neto espalham a dupla Lula-Neto em redes sociais e em santinhos, e o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia multou em R$ 5 mil, na segunda-feira 24, o ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias por uma dessas publicações. O próprio ACM Neto diz apoiar Ronaldo Caiado para presidente e afirma não ter responsabilidade pela escolha de cada eleitor. Em Pernambuco, o deputado federal Túlio Gadêlha aparece ao lado de Lula e da governadora Raquel Lyra na versão local do arranjo, apelidada de LuQuel; Lyra não declarou voto para a Presidência e chamou Lula de pernambuquista em ato em Olinda. No Ceará, Ivo Gomes, irmão de Ciro Gomes, publicou a peça Lula lá, Ciro cá, e o ex-governador Camilo Santana reagiu no domingo 23 relembrando ataques que Ciro dirigiu a Lula em 2022. O deputado Mauro Benevides Filho perdeu a vice-liderança do governo na Câmara depois de aderir à campanha de Ciro.
A cobertura de centro tratou o mesmo tabuleiro por outro ângulo, o da aritmética nacional. Nessa leitura, a vantagem de Lula no Nordeste é ampla, mas pode ser neutralizada pelo bloco formado por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Números de pesquisa citados nessa cobertura mostram a disputa presidencial apertada, com Lula em 39% e Flávio Bolsonaro em 33% no primeiro turno e 47% a 43% em simulação de segundo turno, além de amplo domínio do presidente entre nordestinos e liderança do candidato do PL no Sul. O mesmo raciocínio aponta que nenhum dos dois tem palanque estadual confiável em Minas Gerais, que Tarcísio de Freitas oferece estrutura robusta a Flávio Bolsonaro em São Paulo e que Eduardo Paes, favorito no Rio de Janeiro, é palanque forte, porém ambíguo, para Lula.
Os dois recortes convergem em dois pontos. O primeiro é que a força eleitoral de Lula no Nordeste continua intacta o bastante para atrair até adversários declarados do PT. O segundo é que Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldade concreta para montar palanques regionais fora do Sul e do Sudeste, mesmo tendo escolhido como vice o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas. Divergem no peso que atribuem a esse quadro: a cobertura de direita insiste no custo político imediato para o PT, que reage por meio de dirigentes e da Justiça Eleitoral; a de centro subordina o Nordeste ao resultado no Sudeste, onde estaria o desfecho da eleição.
Veículos de esquerda não registraram o caso até o momento, e a ausência é relevante: o argumento que costuma aparecer nesse campo, o de que a adesão a Lula na região decorre de política social e ganho de renda, não tem espaço próprio no material disponível e aparece apenas de forma indireta, nas falas de dirigentes petistas reproduzidas pela reportagem.
O que ainda não se sabe é qual será o efeito real do voto casado nas urnas: não há pesquisa estadual citada que meça a adesão dos eleitores ao arranjo. Também segue em aberto se Raquel Lyra e Ciro Gomes vão declarar voto presidencial até o fim da campanha, se a multa aplicada na Bahia terá recurso e se Flávio Bolsonaro conseguirá estruturar palanque competitivo na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. A campanha do PL não se manifestou sobre o diagnóstico de isolamento regional descrito na cobertura.
As duas linhas de cobertura reconhecem que Lula mantém ampla vantagem eleitoral no Nordeste e que Flávio Bolsonaro tem dificuldade concreta para montar palanques estaduais na região, mesmo com um vice alagoano na chapa.

Os três estados concentram parcela decisiva do eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias

Petistas recorrem a declarações públicas e até mesmo à Justiça Eleitoral para evitar associação, enquanto rivais optam pela inércia; situação ocorre na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, respectivamente os três dos principais colégios eleitorais da região
Perspectivas omitidas
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