O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, em Washington, para pedir o cancelamento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ele foi o primeiro expositor do oitavo painel da sessão, que não teve transmissão ao vivo e reuniu empresários, advogados, representantes do setor produtivo e integrantes do governo americano.
Como a story foi coberta até o momento por um único veículo, de perfil à direita, a reportagem descreve os bastidores da preparação sem contraditório equivalente das demais partes. Segundo o relato, a equipe do senador fez ajustes de última hora no roteiro e recebeu uma advertência da organização por tentar fotografar o auditório antes do início. A preocupação central, segundo interlocutores da campanha, era evitar que a audiência repetisse o desgaste provocado pelo documento de 86 páginas entregue ao USTR na semana anterior.
Na exposição de cinco minutos, Flávio pediu o cancelamento das tarifas, não apenas seu adiamento, defendeu a preservação do Pix e sustentou que uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos seria mais eficiente do que a adoção de barreiras comerciais. Ao seu lado estavam o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria, além de representantes da Abicalçados, da Footwear Distributors and Retailers of America e da Gerberich LLC.
A cobertura registra que o senador ampliou o argumento para além da esfera econômica. Ele afirmou que decisões do Supremo Tribunal Federal têm produzido impactos sobre a política e a economia do país e voltou a dizer que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, seria vítima de uma "caça às bruxas" do Judiciário. Também sustentou que medidas de moderação de conteúdo nas plataformas decorreram de decisões judiciais e de atos do Executivo, e não de leis do Congresso. Ao tratar de corrupção, citou o mensalão, a Operação Lava-Jato, a anulação das condenações de Lula, as fraudes no INSS e o Banco Master, para defender que casos com responsáveis identificáveis não justificariam uma tarifa capaz de atingir toda a economia.
O próprio veículo aponta as tensões da narrativa: adversários passaram a interpretar o parecer entregue ao USTR como tentativa de empurrar a suspensão das tarifas para depois das eleições de 2026, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associou a interlocução da família Bolsonaro com o governo Donald Trump ao risco de o Brasil sofrer novas sanções. A viagem, que começou cercada por acusações de "entreguismo", é apresentada por aliados como demonstração de influência junto ao governo americano. Um leitor de esquerda tende a enfatizar esse ângulo de subordinação e uso político da tribuna internacional; um de direita, a defesa dos empregos e das empresas brasileiras diante de uma sobretaxa considerada injusta; e uma leitura de centro se concentra nos fatos: quem falou, o que foi pedido e como o episódio se encaixa na disputa comercial.
O que ainda não se sabe é se o governo Trump vai recuar ou suavizar a medida nas próximas semanas, qual será a reação oficial de Washington e do Palácio do Planalto à exposição, e por que o Banco Master, citado na fala, não apareceu na nota distribuída pela assessoria após a audiência. Também segue em aberto o desdobramento eleitoral que os aliados esperam extrair da viagem caso o tarifaço seja retirado.