Avaliações vindas da Europa apontam riscos ambientais, comerciais e diplomáticos numa eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, na eleição presidencial. As análises surgiram depois que o candidato terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e os dois se enfrentam agora no segundo turno.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que a Fundação Plant-for-the-Planet, sediada em Berlim, considera que um novo governo da família Bolsonaro elevaria o risco de enfraquecimento dos órgãos de proteção florestal. Segundo a fundação, poderiam ocorrer restrições à criação de áreas protegidas e de territórios indígenas, anistias capazes de incentivar o desmatamento ilegal e redução da cooperação internacional na área ambiental.
Outro ponto de atenção é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido pela sigla em inglês TFFF. O mecanismo foi lançado pelo governo Lula antes da COP30, a conferência do clima das Nações Unidas realizada em Belém, e ainda não alcançou o apoio necessário. Por isso, a continuidade do fundo preocupa organizações dedicadas à proteção das florestas.
No campo diplomático, a reportagem indica que um governo de Flávio tenderia a se aproximar do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, o que poderia afastar o Brasil da União Europeia. Lula, segundo o texto, é reconhecido no continente pela redução do desmatamento e pelo empenho no acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, apesar de divergências sobre a guerra na Ucrânia.
A agenda ambiental tem também peso comercial. Compromissos de proteção florestal e de padrões de produção fazem parte das exigências europeias para o acordo com o Mercosul. Um enfraquecimento dessas políticas poderia ampliar a resistência ao tratado, que já enfrenta oposição de setores agrícolas europeus.
O texto lembra que Flávio chamou o presidente francês, Emmanuel Macron, de incompetente numa entrevista em fevereiro, quando criticou as visitas dele à Amazônia. Na mesma entrevista, porém, o senador descreveu o acordo entre União Europeia e Mercosul como um passo importante. As preocupações citadas alcançam ainda a democracia e o Estado de direito, diante do histórico de Jair Bolsonaro, condenado pela tentativa de golpe.
A cobertura disponível dá destaque às organizações europeias e não traz resposta da campanha de Flávio às críticas. O próprio texto ressalva que os cenários são avaliações sobre um governo possível, cujos efeitos dependeriam das decisões tomadas caso o senador vença.
Ainda não se sabe quais propostas concretas Flávio apresentará para a Amazônia, para o fundo florestal e para o acordo com a Europa. Também não há, até agora, posicionamento de governos europeus, além das avaliações de entidades da sociedade civil.