Anvisa apura 13 suspeitas de perda de visão com canetas emagrecedoras
1 veículo de esquerda · 2 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
- G1Anvisa investiga 13 notificações de doença que causa perda de visão associadas a canetas emagrecedorasLesão rara entope os vasos do nervo óptico e pode deixar sequelas permanentes. Estudo aponta associação com a semaglutida, mas relação ainda não foi comprovada.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Canal MeioAnvisa investiga 13 notificações de doença que causa perda de visão associada a canetas emagrecedorasA Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, Noia, uma doença rara no nervo óptico que pode causar perda permanente da visão em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para diabetes e obesidade. De acordo com levantamento pedido pelo g1, as notificações são de casos envolvendo pacientes usuários de Ozempic, Wgovy, Rybelsus e Mounjaro. (g1)(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Briefing
O que importa para você
- Quem já teve neuropatia óptica isquêmica ou apresentar perda súbita ou recente da visão deve suspender o medicamento, segundo as sociedades médicas.
- Pacientes com diabetes em tratamento com as canetas precisam fazer exames periódicos de retina.
- A Noia está na bula dos remédios com semaglutida como reação adversa muito rara desde junho de 2025.
- Uso sem indicação médica, apenas com finalidade estética, é o caso em que o risco deixa de ser compensado pelo benefício.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura registra os mesmos números e a mesma ressalva: são 13 notificações classificadas como suspeitas, envolvendo Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, e não há relação de causa e efeito comprovada entre os medicamentos e a perda de visão. Há convergência também na orientação médica de que quem tem indicação clínica não deve interromper o tratamento por conta própria.
O que ainda está incerto
- Se existe relação causal entre os agonistas de GLP-1 e a lesão no nervo óptico.
- Quantas das 13 notificações serão confirmadas e quantos pacientes ficaram com perda definitiva de visão.
- Em que prazo a Anvisa concluirá a apuração e se haverá mudança de bula, restrição de venda ou reforço de fiscalização.
A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de uma lesão rara no nervo óptico que pode causar perda permanente da visão em pacientes que usavam canetas emagrecedoras. A agência trata todos os casos como suspeitos e afirma que a coincidência entre remédio e doença numa notificação não comprova causa e efeito. Fabricantes dizem que o balanço entre benefícios e riscos segue favorável.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla Noia, em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, indicadas para diabetes e obesidade. A lesão funciona como um infarto no nervo que liga o olho ao cérebro: os pequenos vasos que irrigam a região entopem, parte das células nervosas morre e a visão de um dos olhos piora de repente, em geral sem dor e com sequela permanente.
Os registros envolvem Ozempic, com cinco notificações, Wegovy, com três, Wegovy FlexTouch e Rybelsus, com duas cada, e Mounjaro, com uma. No sistema da agência, os casos aparecem separados entre 12 de semaglutida e um de tirzepatida, e a própria Anvisa afirma que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não comprova que um tenha causado o outro. O painel de farmacovigilância acumula 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica desde 2018, a maior parte ligada a outras classes de remédios, e reúne ainda 74 relatos de outras complicações visuais entre usuários das canetas, sendo visão turva a queixa mais frequente.
A cobertura de centro relatou o caso a partir de levantamento no painel da agência e deu espaço às duas fabricantes. A Novo Nordisk, responsável pelos remédios à base de semaglutida, afirmou que análises de seus ensaios clínicos não mostraram aumento de casos da doença e que o balanço entre benefícios e riscos segue favorável. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, disse que monitora continuamente dados de segurança, incluindo questões oftalmológicas, e orientou quem apresentar efeitos colaterais a procurar um médico. Essa mesma cobertura registrou que o assunto ganhou tração depois que um grupo de pacientes nos Estados Unidos acionou a Justiça contra a Novo Nordisk alegando risco de perda de visão.
Veículos de esquerda reproduziram os mesmos números e deram peso maior ao alerta contra o uso sem prescrição, sobretudo quando as canetas são procuradas apenas por finalidade estética, e à necessidade de acompanhamento médico e de vigilância pública sobre a segurança dos medicamentos. Até o momento não há cobertura própria de veículos de direita sobre o caso; o ângulo de responsabilidade individual e de decisão compartilhada entre médico e paciente aparece nas falas dos especialistas ouvidos pela cobertura de centro, que sustentam que quem tem indicação médica continua tendo mais a ganhar do que a perder com o tratamento.
Os textos convergem no limite da evidência disponível. Um estudo publicado na revista científica JAMA Ophthalmology analisou mais de 1,6 mil prontuários e observou risco de quatro a sete vezes maior de Noia entre pacientes que receberam semaglutida, mas os próprios pesquisadores apontaram limitações para estabelecer causa e efeito, porque parte desses pacientes tinha diabetes, condição que por si só danifica os vasos e deixa o nervo óptico mais vulnerável. No Brasil, por determinação da Anvisa, a Noia consta desde junho de 2025 na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara. Sociedades médicas recomendam suspender o remédio em quem já teve a doença ou apresenta perda súbita ou recente da visão, e pedem exames periódicos de retina em pacientes com diabetes que fazem o tratamento.
O que ainda não se sabe é se existe relação causal entre os medicamentos e a lesão, quantas das 13 notificações serão confirmadas, quantas pessoas ficaram com perda definitiva de visão e em que prazo a agência concluirá a apuração. Também não há informação pública sobre eventual nova exigência de bula, restrição de venda ou reforço de fiscalização como desfecho da investigação.
Fontes

Lesão rara entope os vasos do nervo óptico e pode deixar sequelas permanentes. Estudo aponta associação com a semaglutida, mas relação ainda não foi comprovada.
A Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, Noia, uma doença rara no nervo óptico que pode causar perda permanente da visão em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para diabetes e obesidade. De acordo com levantamento pedido pelo g1, as notificações são de casos envolvendo pacientes usuários de Ozempic, Wgovy, Rybelsus e Mounjaro. (g1)

Notificações envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; patologia pode provocar perda permanente da visão