Um grupo de mulheres conservadoras que atuam na política avalia acionar a Justiça dos Estados Unidos contra brasileiros ligados ao bolsonarismo, acusados de disseminar ataques nas redes sociais. A informação foi revelada pela jornalista Ana Flor, em seu blog no g1, e repercutida por outros veículos ao longo desta semana. Segundo a apuração, as integrantes do grupo reuniram publicações em diferentes plataformas que, na avaliação delas, configurariam crimes de calúnia, difamação e injúria, e já teriam procurado um advogado nos Estados Unidos para analisar a viabilidade da ação.
As mulheres afirmam que os ataques partem de um chamado 'gabinete do ódio', operado por pessoas que estão no exterior. Um dos nomes citados é o do influenciador Allan dos Santos, seguidor de Olavo de Carvalho e foragido da Justiça brasileira. Além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, estariam entre os principais alvos a senadora Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão. O grupo também avalia incluir episódios de ataques contra mulheres de esquerda atribuídos aos mesmos perfis.
Os três veículos convergem no núcleo dos fatos: a existência do grupo, o contato com um advogado nos EUA, a citação a Allan dos Santos e a ligação com o vídeo em que Michelle Bolsonaro, na semana passada, criticou o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Na gravação, a ex-primeira-dama disse ser alvo de um 'grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior' e afirmou que alguns integrantes desse grupo aparecem em fotos ao lado do parlamentar.
A cobertura de centro, ancorada na coluna de Ana Flor no g1, manteve o relato factual e enxuto, apresentando os fatos sem enquadramento ideológico e servindo de fonte primária para os demais. Já os veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo e o ICL Notícias, enfatizaram a fratura interna do bolsonarismo e a dimensão da violência política de gênero nas redes, destacando que a máquina de ataques digitais associada à direita agora atinge suas próprias aliadas. Esses veículos deram relevo à cobrança pública do deputado Marcos Feliciano, que pediu no X que Flávio 'coloque os galos de rinha dentro da caixa', sob pena de perder apoio evangélico. A leitura à direita, embora sem cobertura própria neste conjunto, tenderia a enquadrar a iniciativa como uma busca legítima por responsabilização individual de quem comete crimes contra a honra amparado pela distância da Justiça brasileira.
O que ainda não se sabe é decisivo: nenhuma fonte detalha a base jurídica concreta da eventual ação nos Estados Unidos, quem exatamente figuraria como réu além de Allan dos Santos, nem se o grupo de fato ajuizará o processo. Também não há resposta dos acusados nem posicionamento formal do PL, de Valdemar Costa Neto ou de Flávio Bolsonaro sobre as cobranças que, segundo a apuração, já chegaram à cúpula do partido.