Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e o relato abaixo se baseia nessa cobertura de fonte única. Não houve, portanto, cobertura de esquerda ou de direita para comparar, e este texto não atribui enquadramento a esses lados.
O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, do PSD, derrotado na disputa pelo governo do estado, se reuniu neste sábado, 17 de outubro, com lideranças comunitárias no Cacique de Ramos, na Zona Norte da capital. No encontro, defendeu mais diálogo, no lugar de gritos de guerra e pautas ideológicas, para conseguir votos para o presidente Lula no segundo turno. Lula teve resultado ruim em território fluminense.
Os números do primeiro turno ajudam a medir o desafio. No país, Flávio Bolsonaro, do PL, teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. No estado do Rio, a distância foi maior: Flávio obteve 53,01% e Lula, 39,41%.
Paes disse que seu foco são dois públicos. O primeiro é o povo pobre das comunidades, que, segundo ele, não foi votar no primeiro turno. O segundo é o eleitor da Zona Oeste, que ele descreveu como mais arisco a Lula e até a ele próprio. Afirmou que seu lugar na eleição é conversar com gente pouco politizada e em geral mais conservadora, que quer serviço, entrega e realização, e pediu que se esqueçam as pautas ideológicas.
Integrante da coligação de Lula, Paes evitou atos com o presidente no primeiro turno, em movimento para atrair o eleitor bolsonarista. No evento, citou o financiamento para renovar o sistema de BRT e a decisão política que permitiu a retomada de voos no Aeroporto do Galeão como ajudas do governo federal à cidade. Reconheceu que o estado e a capital não são ambientes favoráveis a Lula e que a tendência ainda é de derrota do presidente ali, mas avaliou ser possível reduzir a diferença para Flávio no segundo turno.
Paes pediu ainda que as críticas a pastores e evangélicos sejam interrompidas imediatamente. Lembrou de quem disse que o povo da Baixada Fluminense não sabe votar. O candidato do PSD perdeu para Douglas Ruas, do PL, nos 13 municípios da região. Para ele, quem não votou nele não entendeu sua mensagem, e não se pode pensar que quem pensa diferente não tem valor.
O prefeito Eduardo Cavaliere, também do PSD e sucessor de Paes, abordou a judicialização da disputa estadual. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu invalidar os votos de Anthony Garotinho, do Republicanos. Houve uma recontagem que elegeu Douglas Ruas governador sem necessidade de segundo turno, já que ele passou a ter mais de 50% dos votos válidos. Nesta semana, o PSD acionou o Supremo Tribunal Federal para que suspenda a decisão do TSE em caráter liminar e determine a convocação do segundo turno. Cavaliere disse que o partido irá até as últimas instâncias.
O que ainda não se sabe é se o Supremo vai conceder a liminar e se a estratégia de Paes será suficiente para diminuir a distância de Lula no Rio. O relato também não traz a posição da campanha de Flávio Bolsonaro nem a do PL sobre o pedido do PSD.