O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Walmart decidiu cortar os preços de cerca de 250 produtos a pedido de seu governo. A declaração foi feita em sua rede social, a Truth Social, logo após a maior varejista do mundo anunciar uma promoção de itens muito consumidos durante o verão do hemisfério norte, estação pela qual os Estados Unidos passam neste momento.
Na postagem, Trump chamou o Walmart de "uma empresa verdadeiramente patriótica que ama os Estados Unidos" e disse que a rede reduziria os preços "consideravelmente, a pedido do meu governo, para celebrar o 250º aniversário do nosso grande país". Em seguida, conclamou outras redes de varejo a fazer o mesmo. Ao anunciar a promoção, a empresa afirmou que o objetivo era ajudar os clientes a aproveitar ao máximo a temporada, sem mencionar o presidente.
Até o momento, apenas o veículo de economia da revista Veja cobriu o episódio na base analisada, em reportagem de tom majoritariamente factual. A cobertura de fonte única relatou que o Walmart não se manifestou sobre as declarações de Trump, não confirmando nem negando ter atendido a um pedido do presidente. O texto ponderou ainda que a tentativa do republicano de faturar politicamente com o fato não é, necessariamente, ruim para a companhia, já que, segundo analistas, o patriotismo anda em alta no país.
A mesma reportagem contextualizou que Trump tenta capitalizar o episódio diante de uma inflação elevada, que azeda o humor dos consumidores americanos, corrói sua popularidade e ameaça o predomínio do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato que se aproximam. O movimento vem logo após o presidente admitir publicamente ter interferido na Copa do Mundo em favor da seleção dos Estados Unidos, outro gesto lido como busca por holofotes.
O que ainda não se sabe é se houve, de fato, um pedido formal do governo à varejista, qual foi a magnitude real dos descontos e quais produtos específicos entraram na promoção. O silêncio do Walmart deixa em aberto se a decisão de preços foi uma resposta ao presidente ou uma estratégia comercial de temporada apenas aproveitada politicamente por ele.