O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, que enviou um ofício à embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O movimento veio logo após o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, determinar a remoção de um vídeo em que o deputado relacionava o Partido dos Trabalhadores a facções do crime organizado.
No conteúdo retirado do ar, Sóstenes afirmava haver "grandes suspeitas nos Estados Unidos" de que recursos do Comando Vermelho e do PCC estariam financiando campanhas do PT. A cobertura de centro relatou que o deputado discordou da decisão, mas cumpriu a ordem dentro do prazo de 24 horas e apagou a publicação. Em conversa com jornalistas, ele sustentou que não fez uma acusação direta: "Em nenhum momento do meu vídeo eu afirmei. Eu disse que há suspeita do governo americano", declarou. Segundo o parlamentar, ninguém melhor do que o próprio governo americano para esclarecer o ponto, razão pela qual oficiou a embaixada e pediu uma audiência pública com o representante diplomático.
Os detalhes da decisão judicial são consensuais entre os veículos. A liminar de Mendonça atendeu a uma representação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O ministro entendeu que a publicação extrapolou os limites da crítica política ao imputar ao partido uma acusação grave sem demonstração de lastro mínimo, e que o conteúdo tinha potencial para comprometer a integridade do debate eleitoral e induzir o eleitorado a erro. A decisão determinou a retirada do conteúdo, proibiu novas publicações de teor equivalente, fixou multa diária em caso de descumprimento e mandou notificar as plataformas digitais. Em decisões correlatas, o mesmo ministro determinou a remoção de posts que associavam o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, a organizações criminosas.
É na interpretação do episódio que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram que o deputado recorreu a uma potência estrangeira para tentar dar verniz a uma tese conspiratória doméstica, sem apresentar um único elemento concreto, e leram o gesto como mais um capítulo da tática do bolsonarismo de internacionalizar disputas internas e apelar a Washington diante de reveses judiciais. Para esse enquadramento, a decisão do TSE é um freio legítimo contra a desinformação eleitoral. Já a leitura à direita, reconstruída a partir das falas do próprio parlamentar, trata a remoção compulsória em 24 horas, com multa diária, como cerceamento do debate político e atuação do Judiciário eleitoral sobre a oposição às vésperas da eleição; nessa chave, acionar a embaixada seria apenas buscar esclarecimento na fonte que ele mesmo citou.
O que ainda não se sabe é como a embaixada dos Estados Unidos responderá ao ofício e ao pedido de audiência pública, se de fato existe qualquer manifestação oficial do governo americano sobre o suposto financiamento e quais serão os próximos passos do PT e do TSE diante da reação do deputado. Nenhum dos veículos trouxe, até o fechamento, posicionamento da representação diplomática norte-americana.