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Um grande grupo de comunicação abriu uma rodada de entrevistas com os cinco candidatos à Presidência mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. A ordem foi definida por sorteio em 27 de julho, com representantes das campanhas. Lula informou que não participaria; Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado confirmaram presença; a campanha de Flávio Bolsonaro não havia respondido até a publicação. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
A dois meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, um grande grupo de comunicação brasileiro abriu uma rodada de entrevistas ao vivo com os principais candidatos à Presidência da República. O critério de convite foi objetivo: entraram os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho, ou seja, o presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ativista Renan Santos (Missão), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). A ordem em que cada um seria entrevistado saiu de um sorteio realizado em 27 de julho, acompanhado por representantes das campanhas.
O ponto que organiza toda a cobertura é uma ausência. A assessoria do presidente informou que ele não participaria da entrevista que lhe coube, agendada para terça-feira, 4 de agosto. As campanhas de Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado confirmaram presença nas datas sorteadas, distribuídas entre quarta-feira, 5, e sexta-feira, 7. A equipe de Flávio Bolsonaro, apontado pelos levantamentos como o principal concorrente do atual mandatário, ainda não havia respondido ao convite para segunda-feira, 10 de agosto. Cada conversa é conduzida por duas jornalistas, dura cerca de uma hora e meia, começa às 14h e é transmitida ao vivo, com versões posteriores em vídeo e em áudio.
A cobertura de centro tratou o episódio como notícia de serviço: registrou o sorteio, a ordem dia a dia, quem confirmou, quem declinou e quem não respondeu, sem qualificar as decisões das campanhas. Nessa chave, o material foi complementado por um levantamento das chapas já oficializadas em convenção, com nomes de vices, datas e as etapas seguintes do calendário eleitoral. Veículos de esquerda deram o mesmo conjunto de fatos, mas acrescentaram a leitura das pesquisas: um agregador ponderado do fim de julho aponta o presidente à frente no primeiro e no segundo turno, com vantagem descrita como consistente e crescimento entre o eleitorado não alinhado. Nesse enquadramento, a disputa tenderia a se decidir apenas no segundo turno. Até o momento, não houve cobertura de veículos de direita sobre a agenda de entrevistas dentro deste conjunto de fontes.
A divergência de cobertura não está nos fatos, que são idênticos, e sim no que cada lado escolhe destacar. A ênfase à esquerda recai sobre o critério de convite, que reproduz a hierarquia de uma única pesquisa e deixa de fora candidaturas de partidos menores já oficializadas, e sobre os números que mostram o presidente na dianteira. A leitura mais à direita, ausente aqui como cobertura mas presente no debate público, tende a colocar o holofote sobre a recusa de quem ocupa o cargo em responder perguntas diretas enquanto adversários aceitam o mesmo formato. O material de centro se abstém das duas interpretações e fica no registro do calendário.
Há lacunas relevantes. Nenhuma das reportagens informa a justificativa da campanha do presidente para não comparecer, nem se haveria data alternativa em negociação. Também não se sabe se a campanha do senador do PL confirmaria a participação de 10 de agosto. Nenhum texto detalha margem de erro ou número de entrevistados dos levantamentos usados como critério de convite, nem esclarece quais coligações foram efetivamente fechadas até o encerramento do prazo das convenções, em 5 de agosto. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, quando o quadro definitivo da disputa deve ficar conhecido.
Todos os lados registram os mesmos fatos: o convite seguiu a ordem dos cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha de 24 de julho, a sequência das entrevistas saiu de um sorteio em 27 de julho com representantes das campanhas, Lula comunicou que não participaria, Renan Santos, Zema e Caiado confirmaram presença e a campanha de Flávio Bolsonaro não havia respondido ao convite.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
A primeira metade é factual (agenda, sorteio, perfis), mas a segunda metade acopla um agregador próprio de pesquisas com leitura interpretativa favorável ao presidente: fala em vantagem consistente, crescimento gradual entre independentes e afirma que a candidatura adversária não apresenta força para reverter a dianteira. Esse enquadramento avaliativo, ausente de contraponto, empurra o texto para a esquerda.
Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Levantamento descritivo das chapas oficializadas, com prazo de convenções, registro na Justiça Eleitoral e checagem de elegibilidade pelo TSE. Trata candidaturas de esquerda, centro e direita com a mesma extensão e o mesmo tom, sem adjetivação valorativa: apesar do veículo de origem, o artigo em si é de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto de serviço, estritamente descritivo: lista o sorteio, a ordem dia a dia, quem confirmou, quem recusou e quem não respondeu, sem adjetivação nem juízo sobre as ausências. Vocabulário neutro e paridade entre as campanhas caracterizam cobertura de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

G1 e GloboNews entrevistam os cinco candidatos que estão nas primeiras colocações da pesquisa Datafolha. Confira a agenda

Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado confirmaram presença. Lula informou que não participará. Flávio Bolsonaro ainda não respondeu se aceita o convite.

Saiba quem são os candidatos à Presidência em 2026 e como funciona o processo de oficialização das chapas eleitorais.
Foram convidados os cinco mais bem colocados na última pesquisa Datafolha.
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.
Texto curto e anunciativo, que apenas informa o critério de convite pela pesquisa mais recente, a ordem sorteada e o horário da transmissão. Registra a recusa do presidente em uma frase, sem qualificar a decisão. Não há vocabulário ideológico em nenhuma direção.
Perspectivas omitidas


