O ex-chefe de gabinete da Presidência da República Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, deixou a equipe da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 5 de agosto de 2026. A saída ocorre depois da divulgação de repasses financeiros feitos a ele pela empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e apontada nas apurações como sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Os relatos publicados convergem no essencial. Marcola comunicou a decisão ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e em seguida conversou diretamente com o presidente da República. Ele afirmou que o afastamento tem motivação política, e não jurídica, para evitar que o episódio seja explorado por adversários ou provoque disputas internas na campanha. Integrantes do governo relataram que o dirigente partidário tentou convencê-lo a permanecer na equipe. Dois dias antes, em 3 de agosto, o ex-assessor havia confirmado publicamente o recebimento dos valores, sustentando que se tratava da quitação de um empréstimo pessoal firmado com a empresária, sem relação com sua atuação no governo. Em nota, declarou nunca ter mantido qualquer relação que caracterizasse ilegalidade no exercício da função. Os repasses identificados somam cerca de R$ 249 mil e incluiriam, além do empréstimo declarado, o pagamento de despesas pessoais mediante envio de boletos e códigos de barras à empresária. O material foi localizado na análise do celular dela, apreendido na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS com prejuízo estimado acima de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.
A cobertura de centro concentrou-se nos bastidores da decisão e no efeito interno sobre a campanha. Esses veículos relataram que a iniciativa de sair partiu do próprio ex-assessor, que o presidente lhe prestou solidariedade e disse confiar nele, e que, na avaliação de auxiliares ouvidos sob reserva, a permanência havia se tornado politicamente insustentável. Registraram também a versão oficial de que o presidente não sabia do caso e de que a campanha foi pega de surpresa, ao mesmo tempo em que lembraram que a saída anterior do ex-assessor do Palácio do Planalto, ocorrida pouco antes de sua ida para a campanha, já havia levantado dúvidas no entorno presidencial.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão de integridade e a projeção eleitoral do caso. O argumento recorrente é o de que o cargo ocupado pelo ex-assessor ia além das funções formais de um chefe de gabinete, já que ele organizava a rotina, a agenda e o acesso pessoal ao presidente, o que tornaria especialmente sensível o recebimento de dinheiro de uma pessoa investigada pela Polícia Federal, mesmo na hipótese do empréstimo. Essa cobertura também encadeia a rede de proximidades entre o ex-assessor, a empresária, o filho do presidente e o operador apontado no esquema do INSS, e sustenta que a saída da equipe eleitoral não encerra a crise, podendo o episódio render novos capítulos conforme avançarem as apurações.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura sobre o episódio no conjunto de fontes reunido até agora. Com isso, o contraponto que costuma acompanhar casos desse tipo, a ênfase na presunção de inocência, na ausência de acusação formal e no risco de uso eleitoral de vazamentos de investigação, não aparece de forma explícita no material disponível, e o leitor recebe a história apenas pelas lentes de centro e de direita.
Ainda não se sabe se existe documentação do empréstimo apresentada às autoridades, se houve qualquer contrapartida associada aos pagamentos, nem se o ex-assessor será formalmente investigado, indiciado ou apenas ouvido. Também não há confirmação oficial do partido sobre o desligamento, nem informação sobre quem assumirá as funções que ele exercia na estrutura da campanha.