O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou na noite de quarta-feira que definirá até esta quinta-feira o desenho completo de sua chapa para as eleições de 2026. A decisão veio após uma reunião no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo Haddad, os ex-ministros Marina Silva, Simone Tebet e Márcio França se colocaram à disposição tanto para a vaga de vice-governador quanto para as duas candidaturas ao Senado, deixando a escolha a seu critério. "Me sinto honrado pela confiança desses três colegas de ministério e me comprometi a formalizar o convite até amanhã", escreveu o petista em publicação no X.
A cobertura de centro relatou que o desenho mais provável, segundo integrantes do próprio PT, é que Márcio França seja escolhido como vice e que Simone Tebet e Marina Silva disputem as duas vagas ao Senado. Os veículos registraram que Lula tem preferência pelo nome de França para a vice, embora o ex-ministro do Empreendedorismo viesse resistindo à ideia e insistindo em concorrer ao Senado. Há, portanto, um impasse aberto sobre quem ocupa cada posição na chapa.
O pano de fundo é a corrida estadual. O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, disputa a reeleição e lidera as pesquisas. Na última semana, o deputado Kim Kataguiri e o ex-prefeito Paulo Serra desistiram de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, o que esvaziou a disputa. Diante disso, Márcio França passou a se movimentar nos bastidores para ele próprio se lançar ao governo, sob o argumento de que sua presença forçaria a eleição a um segundo turno e poderia tirar votos de Tarcísio. O PT se opôs, avaliando que França atrairia eleitores do próprio Haddad, e não do governador. Veículos de direita enfatizaram que toda a articulação tem como objetivo central garantir um palanque para o segundo turno de Lula em São Paulo, mais do que apresentar um projeto de governo para o Estado.
No mesmo dia e no mesmo Palácio da Alvorada, desenrolou-se um segundo capítulo de maior gravidade. O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após uma reunião de cerca de duas horas com Lula. Wagner afirmou que a decisão foi tomada de comum acordo e classificou o encontro como uma conversa entre amigos. O afastamento ocorre seis dias depois de o senador se tornar alvo de uma fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas vantagens indevidas ligadas ao Banco Master.
Veículos de esquerda destacaram que Wagner optou por sair do cargo para se dedicar à própria defesa e preservar a campanha de reeleição de Lula, reafirmando que nega qualquer irregularidade e que sua prioridade é provar a inocência. Já veículos de direita enfatizaram o tamanho do escândalo: a apreensão do equivalente a cerca de R$ 482 mil em espécie, em reais, dólares e euros, em endereços ligados ao senador, a suspeita de compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses que somariam 3,5 milhões de reais a familiares. Segundo a PF, Wagner teria atuado no Congresso em favor do banco, inclusive na chamada Emenda Master, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. A cobertura de centro registrou que integrantes do Planalto consideravam a permanência insustentável e que o próprio senador pediu para sair, movimento já visto como desejável pelo governo.
O que ainda não se sabe é o nome definitivo do vice de Haddad e a composição final das candidaturas ao Senado, que só devem ser confirmados após as conversas desta quinta-feira. Também permanecem em aberto os desdobramentos jurídicos da investigação contra Jaques Wagner, que nega as acusações, e o efeito dessas movimentações sobre a corrida presidencial e a disputa paulista de 2026.