Arábia Saudita diz ter destruído drone dos houthis rumo a Meca; grupo nega alvo
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Veículos com viés ao centro
- O GloboArábia Saudita acusa houthis de atacar Meca; rebeldes negam: 'Mentira cansativa'Autoridades sauditas emitiram alerta de espaço aéreo na manhã desta terça, o primeiro desse tipo para o importante destino religioso que recebe milhões de peregrinos todo ano(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Briefing
O que importa para você
- O Brent passou de US$ 107 por barril, quase 80% acima do nível anterior à guerra, o que pressiona combustíveis no mundo todo.
- Com o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irã, a rota de Bab el-Mandeb virou a saída crucial do petróleo saudita.
- Ao menos 100 mil pessoas foram deslocadas no Iêmen nos últimos dias, segundo o ACNUR.
O que ainda está incerto
- Não há confirmação independente de que o drone tinha Meca como alvo.
- A Arábia Saudita não confirmou a derrubada do caça F-15 alegada pelos houthis.
- Os 450 ataques aéreos atribuídos a Riade não foram verificados.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirma ter destruído um drone lançado pelos houthis do Iêmen em direção a Meca, após o primeiro alerta aéreo da cidade. Os rebeldes negam o alvo, dizem ter derrubado um caça saudita, e a escalada empurra o petróleo para perto de 80% acima do nível anterior à guerra.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou, nesta quarta-feira, 16 de setembro, ter destruído um drone lançado pelos houthis do Iêmen em direção a Meca, a cidade mais sagrada do islã. Segundo o porta-voz da coalizão, o major-general Turki Al-Maliki, o aparelho foi interceptado ao sul da cidade na terça-feira, antes de entrar no espaço aéreo restrito. Os houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã, negaram ter mirado Meca.
Naquela manhã, as autoridades sauditas haviam emitido um alerta aéreo para Meca, o primeiro do tipo para o destino que recebe milhões de peregrinos por ano. A coalizão declarou que a segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha. O Ministério das Relações Exteriores saudita chamou o episódio de ataque terrorista covarde. A Organização para a Cooperação Islâmica, que reúne 57 países, condenou o ato, assim como o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, classificou a acusação como invenção e afirmou que as operações do grupo têm como alvo instalações petrolíferas e bases militares, longe dos locais sagrados. Outro dirigente, Hazm al-Assad, escreveu que se trata de uma mentira batida. Saree também disse que o grupo derrubou um caça F-15 saudita sobre o território iemenita, com um míssil de fabricação local. Riade não confirmou a perda da aeronave, e as imagens divulgadas pelos rebeldes não foram verificadas.
O episódio se insere numa escalada. O Iêmen foi arrastado em julho para a guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Na semana passada, os houthis tomaram o controle da costa iemenita junto ao Mar Vermelho, reforçando o domínio sobre o Estreito de Bab el-Mandeb. O grupo acusa a Arábia Saudita de ter feito 450 ataques aéreos contra o Iêmen em uma semana. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, os combates deslocaram ao menos 100 mil pessoas nos últimos dias.
O conflito pesa sobre o petróleo. O Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 107 por barril, quase 80% acima do nível anterior à guerra. Com o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irã, a rota de Bab el-Mandeb virou crucial para as exportações sauditas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi pediram, no Cairo, garantias à liberdade de navegação. A embaixada dos Estados Unidos recomendou que americanos reconsiderem viagens ao país.
A cobertura de centro relatou o caso com paridade entre a versão saudita e a negativa houthi, sublinhando que várias alegações não foram verificadas de forma independente. Até o momento, não houve cobertura de veículos de esquerda nem de veículos de direita sobre o episódio, o que impede comparar enquadramentos entre os lados.
Fontes
Autoridades sauditas emitiram alerta de espaço aéreo na manhã desta terça, o primeiro desse tipo para o importante destino religioso que recebe milhões de peregrinos todo ano

