A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou que ataques com mísseis balísticos e drones da milícia houthi, do Iêmen, atingiram três cidades sauditas e deixaram 13 civis feridos. Os alvos foram Khamis Mushait, Abha e Taif. Segundo o porta-voz da coalizão, Turki al-Malki, as vítimas tiveram ferimentos leves e moderados, e sete casas e dois veículos foram danificados.
Os houthis, grupo aliado ao Irã, também reivindicaram um ataque à Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que aviões sauditas haviam realizado 54 ataques em cinco províncias iemenitas nas 24 horas anteriores e alertou que a ofensiva não ficaria sem resposta. O governo saudita, por sua vez, prometeu responder com firmeza e acusou os houthis de atacar civis de forma intencional.
A escalada tem efeito direto sobre o mercado de energia. A Arábia Saudita afirmou ter neutralizado drones e destruído um aparelho lançado em direção a Meca, acusação que os houthis negaram. Depois da resposta saudita, o barril do tipo Brent, referência mundial, caiu 1,77%, para US$ 106,83, após dois dias de alta. O conflito se soma à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que já prejudicou o transporte pelo Estreito de Ormuz.
A cobertura de centro relatou os fatos com as versões dos dois lados. Destacou o balanço de feridos, a promessa de reação de Riad e o comportamento do petróleo. Também lembrou que a Arábia Saudita lidera desde 2015 uma coalizão contra os houthis, que o conflito havia arrefecido sob um cessar-fogo e que voltou a se intensificar após o bloqueio naval declarado pelo grupo em julho. Segundo essa cobertura, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu apoio militar ao presidente dos Estados Unidos, que até agora se limitou a inteligência.
Veículos de esquerda destacaram os ataques como resposta à ofensiva saudita dentro do Iêmen, que, segundo os houthis, somou cerca de 300 bombardeios em cinco dias. Essa cobertura deu peso ao avanço do grupo pela costa do Mar Vermelho, com a tomada da cidade portuária de Moca e o controle sobre as ilhas Hanish, perto do Estreito de Bab al-Mandeb. O foco foi o risco de interrupção simultânea de Ormuz e Bab al-Mandeb, que pressionaria o petróleo e a inflação no Ocidente.
Não foi identificada cobertura de veículos de direita sobre o caso. Por isso, a leitura que enfatiza o direito saudita à autodefesa e a ameaça de uma milícia apoiada pelo Irã aparece apenas nas declarações oficiais reproduzidas pela cobertura de centro.
Ainda há pontos em aberto. As fontes divergem sobre a data dos ataques às três cidades, registrada como segunda-feira em um relato e terça-feira em outro. A Arábia Saudita não informou quando o oleoduto Leste-Oeste voltará a operar. E não há confirmação independente do número de bombardeios sauditas alegado pelos houthis nem do drone que teria sido lançado contra Meca.