A Arábia Saudita prometeu na terça-feira, dia 15, responder com firmeza aos ataques mais recentes dos houthis, o movimento insurgente do Iêmen apoiado pelo Irã. A declaração veio depois que mísseis e drones atingiram três cidades sauditas e deixaram 13 feridos, numa nova frente da guerra que se espalha pelo Oriente Médio.
Segundo as autoridades sauditas, os feridos estavam em Khamis Mushait, Abha e Taif. Sete residências e dois veículos foram danificados. Alertas de emergência também soaram em Jeddah, Yanbu e Meca. Na véspera, segunda-feira, dia 14, os houthis já tinham lançado dezenas de mísseis e drones contra a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, disse que foram atingidos hangares, radares, pistas e depósitos de munição, informação que não foi confirmada por fonte independente.
O confronto tem peso econômico. Com o Estreito de Ormuz comprometido pela guerra contra o Irã, a Arábia Saudita passou a concentrar suas exportações de petróleo nos portos do Mar Vermelho. Os navios que seguem para a Europa atravessam o Estreito de Bab al-Mandeb antes do Canal de Suez. Na última semana, os houthis tomaram a cidade portuária de Moca e ampliaram o controle sobre Mayyun e as ilhas Hanish Maior e Hanish Menor, perto desse estreito.
A cobertura de centro foi curta e se concentrou na promessa saudita de resposta firme, identificando os houthis como insurgentes apoiados pelo Irã e tratando os ataques como nova frente de batalha na região.
Veículos de esquerda deram mais espaço ao contexto e à versão houthi. Destacaram que a ofensiva foi apresentada pelo grupo como resposta à intervenção saudita no Iêmen, iniciada em 2015, e a cerca de 300 bombardeios de caças sauditas em cinco dias, número atribuído aos próprios houthis. Esses veículos descreveram o conflito como extensão da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e ressaltaram o temor, em Washington e na Europa, de que a interrupção simultânea de Ormuz e de Bab al-Mandeb provoque nova alta do petróleo e mais inflação. Também reproduziram a advertência de Saree de que qualquer nova agressão terá resposta mais ampla.
Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o caso, o que deixa sem registro nesse campo a leitura sobre o papel do Irã no apoio ao grupo e sobre a segurança da navegação no Mar Vermelho.
Ainda não se sabe qual será a resposta concreta anunciada por Riad, nem quando ela ocorrerá. Também não há confirmação independente do número de bombardeios sauditas, dos danos na base aérea ou de vítimas do lado iemenita. Resta saber se os houthis vão, de fato, restringir a passagem de navios por Bab al-Mandeb.