A poucas semanas do lançamento oficial das candidaturas, a corrida presidencial de 2026 chega a julho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) na maioria das pesquisas, enquanto o bolsonarismo tenta administrar uma crise interna e o desgaste do chamado Caso Master. O quadro combina números de intenção de voto, uma disputa familiar entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o cálculo de aliados como o governador Tarcísio de Freitas.
Os levantamentos do início de julho apontam na mesma direção. A cobertura de centro, de veículos como Poder360, Metrópoles e a agência Broadcast, relatou que a Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio em um eventual segundo turno, com o petista liderando todos os cenários testados. No primeiro turno, Lula aparecia com 46,3% e Flávio com 36,6%, e o pré-candidato Renan Santos, do Missão, despontava na terceira via com 7,8%. A Paraná Pesquisas, no Rio de Janeiro, registrou empate técnico entre os dois, dentro da margem de erro. Essas reportagens trouxeram ficha técnica completa, período de campo e registro no Tribunal Superior Eleitoral, sem enquadramento partidário.
Há convergência entre todos os lados em alguns pontos centrais: Lula lidera as pesquisas de segundo turno, o bolsonarismo vive uma crise pública com Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher, e o Caso Master, envolvendo os áudios de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, é um fator de desgaste. A partir de 4 de julho, passam a valer restrições da legislação eleitoral que limitam inaugurações, publicidade institucional e agendas de quem ocupa cargo público.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda, como CartaCapital, ICL Notícias e Revista Fórum, enfatizaram a fragilidade de Flávio entre as mulheres, que são maioria do eleitorado, e associaram esse quadro às declarações do aliado Paulo Figueiredo e à disputa com Michelle. Essa cobertura destacou ainda uma apuração documental sobre a compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões por um coordenador da pré-campanha e o desempenho de Lula na plataforma de apostas Polymarket, que a própria direita usava como vitrine e onde o petista passou a marcar 61% contra 23% do senador.
Já veículos de direita, como Jovem Pan e o colunista do Estadão, deram mais espaço à estratégia de reação da campanha. Eles relataram que a pré-campanha de Flávio vê alta de dois pontos em trackings internos e aposta que Lula reduzirá o ritmo com as novas regras eleitorais. O foco recaiu sobre o favoritismo de Tarcísio de Freitas em São Paulo, onde o Datafolha apontou vantagem de 16 pontos sobre Fernando Haddad: uma vitória no primeiro turno tiraria o palanque de Lula no maior colégio eleitoral e liberaria o governador para a campanha presidencial. Ainda assim, análises à direita reconheceram as crises e criticaram o 'modo cercadinho' e o comando da campanha a partir dos Estados Unidos.
O que ainda não se sabe é como o eleitorado reagirá, de fato, ao vídeo de Michelle e à operação da Polícia Federal contra o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, temas cujos cruzamentos alguns institutos ainda não divulgaram. Também permanece em aberto se Tarcísio se engajará de corpo inteiro na campanha de Flávio e qual será o desfecho das negociações de palanque em estados como Minas Gerais.