A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente no domingo, 16 de agosto, a menos de 60 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A partir dessa data os candidatos podem pedir votos, divulgar propostas e realizar comícios e carreatas. Treze chapas presidenciais foram oficializadas nas convenções partidárias e tinham até 15 de agosto para registrar as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral. Entre elas estão a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tem o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, novamente como companheiro de chapa, e a do senador Flávio Bolsonaro, do PL, que escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar para a vice-presidência.
A cobertura de centro relatou o calendário e as regras com detalhe. O eleitor votará para cinco cargos: deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Como dois terços das cadeiras do Senado estão em disputa, cada eleitor terá dois votos para senador. A propaganda gratuita em rádio e televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro, e há quatro debates previstos no primeiro turno, o primeiro em 23 de agosto. Se ninguém alcançar mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorre em 25 de outubro. Pela cláusula de desempenho, que exige um mínimo de deputados federais eleitos e de votos para a Câmara em diferentes regiões no pleito de 2022, apenas quatro candidaturas devem ter direito ao horário gratuito: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Nas pesquisas, levantamento do instituto Quaest divulgado em agosto apontou Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 39% em eventual segundo turno. O Tribunal Superior Eleitoral também regulamentou o uso de inteligência artificial na propaganda: o responsável precisa informar de modo explícito que usou a tecnologia, deepfakes estão proibidas e o impulsionamento de material alterado por IA fica vedado nas 72 horas anteriores ao pleito.
Veículos de esquerda destacaram o pano de fundo econômico da disputa. Na semana anterior ao início da campanha, o Comitê de Política Monetária do Banco Central aprovou a quarta redução consecutiva da taxa Selic, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica a 14% ao ano. O colegiado é presidido pelo economista Gabriel Galípolo e reúne diretores nomeados pelo Presidente da República, com mandatos de quatro anos descasados entre si e do calendário eleitoral. Essa leitura tratou o patamar de juros como um jogo de interesses: quem tem muito dinheiro para aplicar se beneficia de taxas altas, enquanto quem depende de crédito paga mais caro no cartão, no cheque especial e no financiamento do imóvel. Apontou ainda que juros altos desestimulam o investimento produtivo, elevam o endividamento das famílias e do governo e pressionam o desemprego.
A leitura de direita, que não aparece nesta cobertura, tenderia a inverter a ênfase. No campo econômico, os mandatos descasados dos diretores do Banco Central seriam apresentados como salvaguarda institucional contra a pressão do Executivo por juros mais baixos justamente em ano eleitoral, e o crédito caro seria lido pelo efeito sobre a decisão de investimento privado e sobre o comerciante que financia estoque. No campo eleitoral, o ponto sensível seria a concentração do tempo de televisão, calculado pela representação partidária na Câmara dos Deputados, e o alcance das novas regras de propaganda, cuja fronteira entre combate à fraude digital e restrição de expressão ainda será testada.
O que ainda não se sabe é quantas das treze candidaturas presidenciais terão o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Também não há detalhamento público das propostas de governo das chapas, nem ficha técnica das pesquisas citadas, com margem de erro e período de campo. No campo econômico, não está definido o ritmo dos próximos cortes de juros até a votação de outubro.