A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 5 de agosto de 2026, apontou uma reversão na trajetória de queda do senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. No primeiro turno, o senador passou de 28% para 30% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula oscilou de 40% para 39%. Em cenário de confronto direto no segundo turno, Flávio subiu de 37% para 39% e o presidente recuou de 45% para 44%. Os dois seguem separados por margem estreita, com o chefe do Executivo à frente nos dois cenários medidos.
A cobertura de centro relatou também os indicadores secundários do levantamento, que ajudam a explicar o movimento. O potencial de voto do senador subiu de 38% para 41%, sua rejeição caiu de 57% para 54% e a parcela de seus eleitores que considera a escolha definitiva passou de 62% para 68%. No recorte por campo político, o apoio a Flávio no segundo turno avançou de 74% para 81% entre eleitores da direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas. A aprovação do governo, por sua vez, ficou estável em 48%, contra 47% de desaprovação.
Os dois textos convergem na explicação apresentada pelo próprio instituto. Segundo seus diretores, dois fatos políticos sustentam a recuperação. O primeiro é a reconciliação pública entre o senador e Michelle Bolsonaro: 59% dos entrevistados avaliam as pazes como positivas, índice que chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre bolsonaristas. A percepção de que esse apoio pode elevar as chances eleitorais do senador subiu de 38% para 46%. O segundo é a reação à decisão judicial que proibiu Flávio de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: 52% consideram a medida errada e 41%, correta, com rejeição de 83% na direita não bolsonarista e de 92% entre bolsonaristas. Na leitura do instituto, esses dois fatores explicam o avanço melhor do que as declarações do senador sobre urnas eletrônicas, que reduzem a chance de voto nele para 26% dos entrevistados e aumentam para 15%.
As coberturas divergem no que escolhem mostrar. Veículos de direita organizaram a matéria em torno da ideia de duas boas notícias para a campanha, enfatizando a quebra de tendência e a consolidação do eleitorado, sem apresentar os percentuais da disputa nem registrar que o presidente permanece na frente nos dois cenários. A cobertura de centro trouxe a série completa de números, incluindo os que são desfavoráveis ao governo e os que são desfavoráveis ao senador, e registrou a estabilidade da aprovação do Executivo. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria deste recorte até o momento, o que deixa sem contraponto explícito a leitura de que a restrição judicial teria virado ativo eleitoral.
O levantamento também mediu desgaste em frentes do governo. A avaliação positiva do programa de renegociação de dívidas caiu de 55% para 47%, e a parcela que diz ter sido diretamente beneficiada recuou de 12% para 10%. No caso da isenção do Imposto de Renda, os que se dizem beneficiados caíram de 32% para 30%, enquanto subiu de 39% para 46% a fatia que afirma não ter percebido diferença na renda. Na resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, 43% avaliam que o presidente reagiu mal e 38%, que reagiu bem; a vantagem dele sobre o senador na percepção de quem melhor defende o país encolheu de 17 para oito pontos.
O que ainda não se sabe é decisivo para dimensionar o resultado. Nenhuma das coberturas informa margem de erro, número de entrevistas, período de campo ou número de registro do levantamento, elementos que definem se as variações de um a dois pontos representam mudança real ou oscilação estatística. Também não há verificação independente da relação de causa apontada pelo instituto entre os dois fatos políticos e o desempenho do senador, nem medição de outros institutos no mesmo intervalo. Resta ainda saber se a recuperação se sustenta depois do início oficial da campanha, quando novos fatos podem redesenhar o quadro.