Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram, na quarta-feira (14), em São Paulo, um ato em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. A manifestação aconteceu na rua Maria Antônia, diante da entrada do Mackenzie e da antiga sede da Universidade de São Paulo, e teve um coro transfóbico dirigido à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e o relato a seguir segue essa única fonte. O ato foi convocado pelo deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). Em discurso, ele citou uma declaração anterior de Erika Hilton de que não teria nada em comum com ele e com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Pavanato disse: "Nós temos sim algo em comum". Em seguida, apoiadores entoaram o coro contra a parlamentar. Segundo o relato, Pavanato não acompanhou o grito e pediu calma aos presentes.
Questionado depois sobre a possibilidade de denúncia por transfobia, o deputado afirmou que só disse que os dois têm algo em comum. Segundo ele, todos os seres humanos têm algo em comum, e os dois são deputados, mas ele teve mais votos do que ela. Os participantes também chamaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ladrão e disseram que a juventude de direita iria retomar as universidades da esquerda.
O ato reuniu alunos de direita como resposta a uma manifestação de estudantes de esquerda em apoio a Lula, realizada no mesmo local na semana anterior. A mobilização bolsonarista veio também depois de atos pró-Lula em Brasília, São Paulo e ao menos nove outras capitais na terça-feira (13). A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) participou e afirmou que, embora nada esteja ganho, a presença de estudantes indicava apoio jovem a Flávio Bolsonaro e liderança na disputa contra Lula. Ela disse ainda que sua eleição mostra que a mulher não precisa ser feminista, e Pavanato a apresentou como uma mulher que não aceita a coleira do feminismo.
O Mackenzie proibiu manifestações partidárias dentro do campus de Higienópolis em 6 de outubro, depois de saber pelas redes sociais de eventos convocados sem autorização prévia. A reitoria disse que decidiu não autorizar atos partidários nas dependências para preservar a segurança e o bem-estar da comunidade. O ato desta quarta ocorreu na rua, e não dentro do campus. A direita bolsonarista convocou nova manifestação para domingo (18), na avenida Paulista, com previsão de presença de Flávio Bolsonaro.
Como só um veículo, com enquadramento de esquerda, relatou o episódio, não é possível comparar com a cobertura de outros lados. Esse relato qualifica o coro como transfóbico e destaca o discurso de retomada das universidades, ao mesmo tempo em que registra a defesa de Pavanato.
O que ainda não se sabe: não há resposta de Erika Hilton nem do Mackenzie sobre o episódio nas informações disponíveis. Também não está claro quem puxou o coro, e não se sabe se haverá denúncia formal por transfobia.